Corintianos causam tumulto na porta do rival
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quinta-feira, 10 de junho de 1999
Por Émerson Couto 
São Paulo, 11 (AE) - Torcedores do Corinthians, não satisfeitos em brigar nos dias de jogos, resolveram, hoje, contribuir um pouco mais para o aumento da violência na cidade. Por volta das 16 horas, cerca de 40 corintianos, com o pretexto de comprar ingressos nas bilheterias do Parque Antártica, provocaram tumulto na Rua Turiaçu, quase travaram uma batalha com os rivais alviverdes, além de fazer um arrastão nas barracas de ambulantes do local.
"A Gaviões tá vindo aqui", alertou um palmeirense que comprava seu ingresso. Em poucos minutos todos estavam prontos para a batalha iminente. Os corintianos já chegaram arremessando tijolos de longe. As pessoas que passavam pelo local ficaram assustadas e acuadas pelos cantos da rua. Um carro da Polícia Militar, que acompanhava a venda de ingressos já tumultuada, conseguiu o evitar um confronto mais grave.
Avisados sobre a impossibilidade de comprar os ingressos que cabiam apenas aos palmeirenses, os corintianos, então, partiram. Não foram quietos, porém. Pelo caminho, promoveram um arrastão. Roubaram camisas, bandeiras e outros adereços palmeirenses. "São bandidos, que vêm para tumultar e roubar", protestou uma ambulante, que teve quase toda a mercadoria levada. Ela contou que, pela manhã, vários corintianos já haviam passado por lá. "Mas o pessoal da Mancha pôs todo mundo para correr."
Desafio - Os são-paulinos da Independente também não ficam atrás. Na quarta-feira, a organizada foi definitivamente extinta por uma decisão judicial. A porta da sede, em uma galeria da Rua 24 de Maio, na região central, foi lacrada. Um dia depois, a organizada já estava de volta à ativa, com um golpe antigo - a mudança de nome.
A Torcida Tricolor Independente passa, agora, a se chamar Grêmio Esportivo Recreativo Tricolor Independente. A entidade existe legalmente e tem sede na vizinhança da organizada fechada. O mesmo drible na Justiça havia sido dado pelos palmeirenses da Mancha Verde.
Também extinta pela Justiça, a torcida passou a se chamar Mancha Alviverde.
O Ministério Público, que fiscaliza a ação das organizadas e responsável pelas ações de extinção, não pode fazer nada além de acompanhar as atividades da entidade que acaba de surgir. O promotor Fernando Capez anunciou que, a qualquer ato de vandalismo ou violência da nova Independente, vai entrar com uma nova ação na Justiça pedindo a extinção.
Metrô - Depois de o governador Mário Covas mostrar seu descontentamento com as cenas exibidas pela TV, em que santistas espancavam, covardamente, um corintiano em uma estação do metrô, as secretarias estaduais de Segurança e Transportes Metropolitanos deram a resposta. Marco Vinicio Petrelluzzi, secretário de Segurança, informou que os seguranças da estação, omissos durante o espancamento, foram identificados e afastados. Foi anunciada também uma maior parceria do Metrô com a PM para evitar novos problemas.


