Corinthians vive processo de descentralização
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quinta-feira, 02 de dezembro de 1999
Por Arnaldo Ribeiro 
São Paulo, 02 (AE) - Com a entrada da Hicks Muse, que assumiu o controle de todas as despesas e receitas do clube, o Corinthians passou a viver não só a era da profissionalização como a da descentralização. Qualquer decisão agora é tomada em colegiado, o que não significa que o clube já esteja funcionando nos moldes de uma empresa.
A Hicks nomeou diretores próprios para quatro áreas estratégicas: Futebol, Futebol Amador, Finanças e Marketing. São eles os responsáveis pelos novos rumos que o clube busca seguir. O presidente Alberto Dualib, apesar de já ser considerado uma figura decorativa, participa de todas as reuniões e é informado de tudo.
"Pouca gente sabe que o Corinthians continua tendo autonomia, em contrato, sobre o futebol; assim, é natural que o presidente do clube esteja sempre por perto, apesar de as decisões já chegarem mastigadas para ele analisar, afirmou o diretor de Esportes do Corinthians, escolhido pela Hicks Muse, José Roberto Guimarães.
Os antigos dirigentes corintianos não dão palpite nos departamentos de Marketing e Finanças, mas têm um representante tanto no de Futebol profissional como no de Amador. "Preferimos fazer tudo a quatro mãos, afirmou Zé Roberto, sem querer entrar em polêmica.
Segundo ele, a grande dificuldade que o Corinthians de hoje vive é conciliar os projetos a médio e longo prazos, que o profissionalismo exige, com o imediatismo do futebol brasileiro. "Esse é o nosso grande dilema, disse.
A Hicks Muse também está aprendendo a conviver com tradições culturais que sobrevivem ao tempo no Corinthians e não condizem com o chamado futebol-empresa: as disputas políticas, o excessivo poder que a torcida Gaviões da Fiel exerce e o paternalismo com o qual os atletas eram tratados até então. Ninguém da diretoria soube agir, por exemplo, quando os jogadores decidiram decretar uma "greve de silêncio e ficaram sem conversar com a imprensa por alguns dias.
"Democrador - Aos poucos, pelo menos na administração do futebol, Zé Roberto pretende impor o seu estilo. Ele se auto-define como um "democrador. "Existem situações no esporte em que você tem de agir como democrata e outras, como ditador; por isso, eu criei essa expressão: democrador.
Entre as prioridades do clube para o ano que vem estão o início da construção de um estádio múlti-uso e a reformulação do Departamento de Futebol Amador, com a assinatura de um convênio com um clube modesto da capital, para o intercâmbio e formação de futuros craques.
Zé Roberto ressaltou que o time continuará a ser reforçado com a contratação de bons jogadores, mas pede compreensão por parte da torcida. "Tudo aqui é pensado de acordo com o limite do orçamento; não faremos nenhuma loucura, afirmou.


