Corinthians viaja pressionado para o México
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segunda-feira, 06 de março de 2006
Cosme Rímoli<br> Agência Estado 
São Paulo - No embarque do Corinthians para o México, ontem, no Aeroporto de Cumbica o time enfrenta o Tigres, quinta-feira pela Libertadores, em Monterrey , o técnico Antônio Lopes, embora não tenha dado entrevistas, demonstrou o tanto que está pressionado após o empate por 1 a 1 com o Marília, domingo à noite, em pleno Pacaembu. Ele procurou se esconder o tempo todo da imprensa e aproveitou a crise envolvendo Nilmar e Rosinei para ''passar batido''.
''Eu havia conversado com o Lopes. Tinha pedido que desse a sua versão dos fatos. O treinador do Corinthians tem de falar nos bons e nos maus momentos. Não sei o que aconteceu. Não era o que havíamos combinado'', disse, decepcionado, o diretor da MSI, Paulo Angioni.
Em seguida, Angioni falou frases bem mais emblemáticas. Lopes está na marca do pênalti. ''Derrotas na Libertadores são drásticas. O Corinthians não pode perder para o Tigres. E como já venho dizendo há muito tempo, futebol é resultado. Não dá para garantir a permanência do treinador se os resultados não forem favoráveis. Perder no Corinthians é certeza de pressão. Ainda mais na Libertadores. Não vou mentir'', admitiu o dirigente.
As estrelas corintianas tomaram a mesma atitude de Lopes. Sentindo que a pressão ficou forte depois do empate diante do fraco Marília, Roger, Tevez e Gustavo Nery também fugiram das entrevistas.
Ricardinho, mais esperto, deu entrevista mas fugiu das polêmicas. Perguntado sobre a possibilidade de demissão de Lopes em caso de derrota no México, o meia escapou de uma resposta direta. ''O mais importante nessa hora é ficar focado na próxima partida. Não adianta ficar perdendo concentração pensando em outras coisas. O Corinthians precisa ganhar do Tigres. Essa tem de ser a nossa prioridade neste momento'', disse Ricardinho.
Os jogadores desceram em bloco do ônibus que levou o time até o aeroporto. Não pararam para tomar café ou comprar revistas para o vôo como fazem em caso de ambiente tranquilo. Vários fãs ficaram frustrados com a pressa dos atletas em fugir dos jornalistas. Eles não posaram para fotos ou deram autógrafos. Buscavam apressados a porta do embarque.
Quem fez questão de falar foi Rosinei. Pediu mais de 20 vezes literalmente desculpas a Nilmar. No domingo, disse que Nilmar foi egoísta e só por isso o Corinthians empatou com o Marília e deixou o Santos abrir seis pontos de diferença na liderança do Paulistão.
''Errei. Estava com a cabeça quente. Não deveria ter reclamado do Nilmar. Eu já pedi desculpas a ele. Tenho de pedir desculpas ao grupo, desculpas ao torcedor. Não poderia ter falado o que falei. Desculpem: errei'', repetia Rosinei a todo repórter que se aproximava.
Rosinei também virou assunto obrigatório para Paulo Angioni. Ele se recusa a jogar pela lateral direita, apesar dos pedidos de Lopes. ''Ele não quer ser fixado fora da sua posição. É preciso respeitar. Se era melhor para o time ele jogar na lateral? Acredito que o nosso treinador está fazendo o que é melhor para o Corinthians. Não dá para dizer que a hierarquia não está sendo respeitada aqui. O que acontece é que o Lopes está seguindo o que o Rosinei quer. A situação é do nosso técnico. Ele que resolva isso. A MSI não vai se meter. O que nos interessa são os resultados do time. Aí sim, nós nos meteremos se eles não vierem.''


