São Paulo - Na zona do rebaixamento no Campeonato Brasileiro, o Corinthians é um clube dominado pelo medo. Desde a derrota para o River Plate e o fim do sonho da Libertadores, que provocaram a violenta manifestação da torcida ao tentar invadir o gramado do Pacaembu para bater nos jogadores. Presidente da MSI, Kia Joorabchian decretou que o momento é de esconder seu investimento de R$ 150 milhões – o time – o mais longe possível dos próprios torcedores.
  Tudo piorou depois da nova derrota, a quarta consecutiva, diante do São Paulo, domingo, em Rio Preto. A ordem foi mandar o time direto para Curitiba. No domingo o Corinthians enfrenta o Paraná em Maringá. Com a nova fuga, a equipe completará dez dias distante da própria torcida.
  ‘‘Os torcedores do Corinthians estão agindo com a emoção. Está demonstrando do seu jeito a derrota na Libertadores. O momento é de cuidado. Os jogadores estão pressionados. O mundo inteiro viu o que a torcida quis fazer com o time. O José Mourinho (técnico do Chelsea), que eu trouxe da Inglaterra, ficou assustado com a reação dos nossos torcedores. Eu quero que a equipe fique em paz’’, disse Kia, tentando justificar tanto medo.
  O esquema é de guerra. O time se esconde com vergonha desde a manhã de sábado passado. Os jogadores viajaram para Rio Preto em vôo fretado, em Congonhas. Foi escondido o horário de embarque. No desembarque no interior paulistas, seguranças e policiais protegiam a delegação. Mas de ninguém. Não havia um torcedor no aeroporto.
  Na tarde do sábado, o treino foi no escondido e ainda em construção CT do ex-jogador da Portuguesa Cleber. Mais policiais e seguranças para proteger os jogadores, mas não havia nenhum torcedor.
  No hotel Saint Peter, em Rio Preto, seguranças não deixavam que as pessoas ficassem sequer na calçada. Os jogadores ficaram confinados em seus quartos. Veio o clássico e nova derrota. A noite do domingo foi patética. Kia Joorabchian e Paulo Angioni escolhiam para onde levar o time: não era hora para voltar a São Paulo. Estavam apavorados com os gritos de ameaça dos torcedores da Gaviões da Fiel que foram até Rio Preto – sem a camisa da organizada, como pedia a lei –, mas ameaçaram os atletas com toda tranqüilidade. Ricardinho, Betão, Coelho e Roger foram ‘‘jurados’’ pela torcida.
  Kia decidiu que o time iria para o Paraná ainda ontem. O clube tentou Londrina e Maringá antes de decidir por Curitiba. Os jogadores ficaram divididos com a decisão. Alguns deles queriam voltar a São Paulo e enfrentar a pressão. ‘‘O problema não vai sumir a não se a gente enfrentar’’, afirmou Betão.
  Mas a grande maioria dos atletas estava assustada e fugia do contato com a imprensa. O time viajou de Rio Preto para o Curitiba às 13 horas. Os assessores de imprensa desligaram os seus telefones para não falar em que hotel a delegação iria ficar. Mas PMs paranaenses foram contatados para ajudar os seguranças corintianos. Kia Joorabchian dobrou o número de seus seguranças pessoais. Além disso, os jogadores receberam ordens para deixarem desligados os celulares com medo de ameaças dos torcedores.

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