São Paulo, 23 (AE) - Confinados num hotel. Assim, jogadores e comissão técnica do Corinthians passaram o tenso dia de hoje, em Assunção, no Paraguai, onde deve ocorrer amanhã (24) o jogo contra o Cerro Porteño, pela Taça Libertadores. Momentos antes da chegada dos corintianos ao Paraguai, o vice-presidente Luis María Argaña foi assassinado no centro da cidade, o que provocou o fechamento das fronteiras do país.
Ninguém podia entrar ou sair. "O nosso avião foi o último a pousar; depois, o aeroporto foi fechado", conta Carlos Nujud, diretor do Corinthians. O país entrou em estado de exceção, que proíbe aglomerações, mas os camponeses ocupavam o centro. Os sindicatos convocaram greve geral sem prazo para terminar.
Até o início da noite de hoje, o jogo entre Cerro e Corinthians estava confirmado pela Confederação Sul-Americana, que tem sede no Paraguai. A entidade admitia, porém, a transferência do jogo, caso a situação do país não se acalmasse. Para o presidente Nicolas Leóz, a realização da Copa América, programada para junho, no Paraguai, não corre risco.
Ainda sem saber se a partida seria realizada, a diretoria do Corinthians dizia que o time só jogaria sob total segurança. "Do contrário, não deixaremos o hotel", disse Nujud. O clube decidiu cancelar o treino de reconhecimento do estádio do Cerro, hoje à tarde. Os atletas se movimentaram pelo hotel, que fica isolado do centro da cidade, por questão de segurança. Os corintianos ficaram sabendo do atentado assim que chegaram, mas no trajeto aeroporto-hotel não constataram nada de anormal.
O Corinthians espera tensão também dentro de campo, caso a partida seja realizada. O Cerro conseguiu transferir o jogo do Defensores del Chaco para seu estádio, chamado de "La Olla" (a panela). Segundo o técnico Evaristo de Macedo, a desvantagem do time brasileiro foi justamente ter vencido o jogo de ida pelo placar de 8 a 2. "É um resultado que desperta espírito de revanche, o que não é bom."
Evaristo quer aproveitar o desespero dos paraguaios e esse sentimento de vingança para conseguir a vitória nos contra-ataques. "O jogo é muito mais decisivo para eles do que para a gente: só a vitória interessa ao Cerro porque depois terão de enfrentar o Palmeiras, em São Paulo." Se vencer amanhã
o Corinthians garante a classificação antecipada para a próxima fase e assume a liderança do Grupo 3.
O grande obstáculo à trajetória da equipe é a maratona. O time disputará 6 partidas em 12 dias (Cerro, Olimpia, na sexta, Palmeiras, Inter, Treze e Portuguesa).
Reforço - A diretoria está acertando a contratação por empréstimo do zagueiro Nenê, de 23 anos, que começou no Juventus e estava no Sporting de Portugal.
Cerro: Aceval; Recalde, Peralta, Dario Caballero (Juan López) e Toledo; Gómez, Gavilán, Jorge Campos e Alvarenga; Mauro Caballero e Gauchinho. Técnico - Carlos Báez. Corinthians: Nei; Índio, Cris, Gamarra e Silvinho; Vampeta, Rincón, Ricardinho e Marcelinho Carioca; Edílson e Fernando Baiano. Técnico - Evaristo de Macedo. Juiz - Daniel Gimenez (ARG). Local - Estádio La Olla, Assunção (PAR). Globo e ESPN Brasil (21h40, horário de Brasília)

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