Corinthians usa psicologia contra o Botafogo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de julho de 1999
Por Arnaldo Ribeiro e Brás Henrique 
São Paulo, 30 (AE) - Desentrosamento. Desconcentração. Sem muito tempo para treinar e com uma sequência de jogos difíceis pela frente, o técnico Oswaldo de Oliveira apelou ao aspecto emocional para tentar corrigir os principais problemas do Corinthians e dar a maior coesão possível ao time, que enfrenta o Botafogo-SP, neste domingo, às 16 horas, no Pacaembu.
Na sexta-feira, ao estilo do antecessor Wanderley Luxemburgo, Oswaldo conversou com os jogadores por cerca de uma hora antes do treino e prometeu dar continuidade ao trabalho psicológico na concentração da equipe. "Como eu não venho tendo o tempo necessário para entrosar o time dentro de campo é preciso recorrer a certos artifícios para aproximar os jogadores, disse o técnico.
O treinador, porém, entende que sua ação está limitada pelo fato de não conhecer a fundo os atletas recém-chegados ao Parque São Jorge, como Marcos Sena e Luiz Mário. "Tem jogador que, se você entra com uma carga emocional muito forte, acaba se retraindo, explicou.
Nas suas palestras, Oswaldo assumiu a difícil missão de tentar convencer o grupo a ter a mesma concentração em cada jogo das duas competições que o Corinthians disputa: o Brasileiro e a Mercosul. "É preciso saber virar o interruptor, de uma competição para outra, disse. "Ele nos motivou muito, afirmou o meia Marcelinho.
Instabilidade - Tanta precaução se justifica. Oswaldo não aceita o rótulo de supertime que o Corinthians adquiriu e entende que a equipe até se enfraqueceu após as saídas de Gamarra e Silvinho. Ele prevê pelo menos mais um mês de instabilidade, com alternância de bons e maus resultados, até conseguir reunir todos os atletas do time (quatro ainda nem se apresentaram) e formar uma equipe-base.
Assim, ele não espera uma arrancada espetacular no Brasileiro, a exemplo do que aconteceu com a equipe no ano passado. "Naquela época, trabalhamos 40 dias, durante a Copa, para a competição e era natural que os resultados aparecessem; a realidade hoje é outra.
Diante desse quadro, não restou ao treinador outra alternativa senão optar pela cautela para enfrentar o Botafogo. A estréia de César Prates na lateral-direita deve ser adiada, assim como a presença do atacante Dinei, desde o início do jogo, no lugar de Ricardinho, suspenso.
Como o lateral-esquerdo Augusto está com faringite, Oswaldo se vê obrigado a escalar o ex-júnior Kléber. Assim, deve optar pela manutenção de índio na direita e a entrada de Edu, como um terceiro volante, no meio. Os dois foram companheiros de Kleber nas categorias de base. "É sinal de que estamos tendo reconhecimento apesar das grandes contratações que o time fez, disse Edu.
"Eu não quis modificar muito, sob o risco de desequilibrar ainda mais a equipe; sou daqueles que gosta de repetir o time sempre que possível, disse Oswaldo, que, ao contrário do que aconteceu contra Gama e Independiente, não vai enfrentar um time desconhecido.
"Eu vi o vídeo da vitória do Botafogo sobre a Portuguesa e o time deles mostrou um bom sentido de marcação e setores muito coesos: vai ser uma parada dura, disse. "O professor nos falou para ficarmos ligados o jogo todo, não cairmos nessa história de adversário fraco, para não sermos surpreendidos dentro de casa, afirmou Márcio Costa.
BOTAFOGO-SP - O Botafogo de Ribeirão Preto será cauteloso contra o Corinthians. O técnico Muricy Ramalho só divulgará oficialmente o time pouco antes do início da partida, mas três volantes devem ser escalados. Além de Alexandre Silva e do experiente Júnior, já confirmados, dois jogadores aguardam a definição da última vaga: o jovem Marquinhos, veloz e criativo, e o experiente Marcão, pesado, lento e limitado tecnicamente. Muricy quer evitar a criação corintiana no meio-de-campo, principalmente na saída de bola.
"Temos que marcar a primeira bola, com o Rincón, que é o forte do Corinthians", comentou o técnico botafoguense. "Assim
a bola não chega redonda para o Luizão." Para que Rincón tenha menos liberdade, a opção lógica de Muricy é Marquinhos, que ficou animado no último coletivo. Um dia antes, ele estava cabisbaixo e não confiava em sua escalação. Ele também é importante nos contra-ataques, já que sabe armar, cruzar e chutar bem.
O atacante Zé Afonso, ex-Grêmio, recém-contratado, fará a sua estréia. "Fora de casa, o Zé Afonso ficará no sacrifício, às vezes sem a bola, mas ele é perigoso e será útil ao time", disse o treinador. O atacante formará dupla de área com o veloz Wagner, que fez dois gols contra a Portuguesa na primeira rodada. O técnico Palhinha comanda o meio-de-campo. O zagueiro Henrique vai enfrentar o Corinthians pela primeira vez desde que saiu do Parque São Jorge, no início do ano passado. Ele e Bell terão atenção redobrada com o artilheiro Luizão. Corinthians: Maurício; Índio (César Prates), Márcio Costa, Nenê e Kléber; Rincón, Marcos Sena, Edu e Marcelinho Carioca; Edílson e Luizão. Técnico - Oswaldo de Oliveira. Botafogo: Alexandre; Júlio César, Bell, Henrique e Cleomir; Alexandre Silva, Júnior, Marquinhos (Marcão) e Palhinha; Wagner e Zé Afonso. Técnico: Muricy Ramalho. Juiz: Edilson Pereira de Carvalho (SP). Local: Pacaembu, às 16 horas.


