Agência Estado
De São Paulo
O estilo frio, calculista e objetivo que marcou o time do Corinthians nas últimas duas temporadas será substituído pela tradicional garra na decisão do Mundial de Clubes, amanhã, no Maracanã. O Corinthians chegou à final depois de ganhar do Al-Nasser por 2 a 0 (gols de Ricardinho e Rincón), anteontem no Morumbi, e superar o Real Madrid no saldo de gols. O time espanhol bateu o Raja Casablanca por 3 a 2.
O adversário do alvinegro paulista sairia do confronto de ontem à noite entre o Vasco e o mexicano Necaxa, no Rio. O clube carioca jogava pelo empate. O Real Madrid disputará o terceiro lugar do Mundial, na preliminar de amanhã no Maracanã. O Manchester United, que venceu ontem o South Melbourne por 2 a 0, dependia de uma derrota do Necaxa por três gols de diferença para o Vasco para disputar o terceiro lugar. Diferença de dois gols pró-Vasco, o adversário do Real Madrid será decidido hoje por sorteio.
‘‘Chegou o momento de deixar a técnica de lado’’, disse o técnico Oswaldo de Oliveira. ‘‘Contra o Al-Nasser já precisamos nos superar, pois o time alcançou seu limite físico.’’ O treinador lembrou que com 25 minutos de jogo foi obrigado a fazer duas modificações por causa de contusões (João Carlos e Ricardinho. ‘‘Não estou mais fazendo substituições táticas ou técnicas; agora são somente físicas’’, afirmou.
O excesso de problemas físicos fizeram Oswaldo adiar a viagem do time para o Rio. Antes programada para ontem, o time só deve viajar hoje, véspera da decisão. ‘‘Aqui (São Paulo) temos maior estrutura para tratar das contusões’’, disse o técnico, que deverá ter dois desfalques para a final: o zagueiro João Carlos, machucado, e o lateral-direiro Daniel, expulso, que ainda será julgado pela Comissão Disciplinar da Fifa. Adílson, que substituiu João Carlos, e Índio devem ficar com as vagas no time.
O meia Ricardinho, que sentiu uma contratura muscular logo após marcar o primeiro gol da equipe diante do Al-Nasser, deve atuar normalmente. ‘‘Logo que senti o problema, informei o banco de reservas e já iniciei o tratamento’’, disse o jogador, que estava muito feliz com o nascimento de seu filho, Bruno, ontem às 3 horas, em Curitiba.
Edu, que substituiu Ricardinho, também está em tratamento. Ele sofreu uma queda e bateu com o ombro esquerdo no chão. ‘‘Sua situação inspira cuidados’’, disse Oswaldo.
O atacante Luizão, um dos que mais sentiram o cansaço, disse que estava triste por ter perdido duas boas oportunidades no segundo tempo contra o time árabe. Luizão afirmou que se sentiu aliviado com a classificação. ‘‘Sei que poderia ser cobrado pelas falhas nas finalizações.’’
Rincón, autor do segundo gol contra o Al-Nasser, afirmou que a ansiedade fez com que a equipe perdesse a tranquilidade. ‘‘A necessidade de marcar dois gols trouxe nervosismo para alguns.’’
Como em 76? – O atacante Edílson convocou a torcida do Corinthians para que compareça em ‘‘massa’’ ao Maracanã, amanhã. O jogador pediu que os torcedores repitam o que foi feito em 1976 na semifinal do Campeonato Brasileiro, contra o Fluminense, quando 70 mil corintianos dividiram as arquibancadas. ‘‘É o jogo mais importante da história do clube.’’
O atleta disse que aguarda o apoio dos flamenguistas, caso os vascaínos, tradicionais rivais, alcancem a final. ‘‘Toda ajuda será muito bem-vinda, pois a pressão será grande.’’ Segundo o diretor de futebol do clube, Carlos Nujub, os torcedores corintianos terão direito a 40% dos 75 mil ingressos que serão colocados à venda.Técnico Oswaldo de Oliveira diz que chegou a hora de deixar a técnica de lado para a decisão no Maracanã
France PresseCAMINHO DA VITÓRIARicardinho chuta para marcar o primeiro gol do Corinthians sobre o Al-Nasser: meia tem escalação garantida pelo médico Joaquim Grava