Atibaia, 4 (AE) - Triangulações rápidas. Cruzamentos rasteiros. O Corinthians vai tentar envolver o São Paulo, neste domingo, no Morumbi, pelo chão. Explorando a habilidade dos baixinhos Edílson (1,68 m), Marcelinho (1,70 m) e Ricardinho (1 76 m) e o oportunismo de Fernando Baiano, o técnico Oswaldo de Oliveira vai procurar reverter já na primeira partida a vantagem que o adversário tem de poder jogar por dois empates para ir à decisão do Campeonato Paulista.
Durante a semana de trabalho em Atibaia (foram sete treinos, exposição de vídeos e muitas conversas), Oswaldo preparou o time para jogar por baixo. A intenção é explorar as costas dos laterais, principalmente de Serginho, e a cobertura lenta dos zagueiros Márcio Santos (1,87 m/85 kg) e Bordon (1,89 m/81 kg). Quando as jogadas acontecerem pelas laterais, Oswaldo orientou Índio, Silvinho, e Marcelinho a evitarem os chuveirinhos. "Os cruzamentos devem ser rápidos e rasteiros, disse Marcelinho. "Isso se deve muito mais às características da nossa equipe do que às deficiências do adversário, afirmou Oswaldo.
Modelo-Botafogo - No sistema defensivo, Oswaldo quer atenção especial com Serginho e Raí. O meia será acompanhando de perto por Rincón, que tem quase o mesmo biótipo. Serginho terá dupla marcação. Quando cair pela lateral, Índio o acompanhará. Quando partir pelo meio, o responsável por ele será Vampeta. "Não podemos dar espaço porque ninguém pega ele na corrida, disse Índio.
Oswaldo também treinou o posicionamento da equipe nas bolas paradas e a recomposição do time quando este perde a posse de bola. O modelo de marcação do Corinthians será o Botafogo, que venceu o São Paulo por duas vezes este ano e eliminou o Tricolor da Copa do Brasil. "No meu time, todo mundo tem de marcar: a marcação começa no ataque, e o ataque, na defesa, definiu.
Outra história - O Corinthians está dando atenção especial a essa primeira partida das semifinais. "O importante é não perder, para depois jogar todas as cartas no segundo jogo, disse Marcelinho. Ninguém no clube teme a repetição da decisão do Paulista do ano passado, quando o São Paulo levou a melhor. "O São Paulo de hoje não tem um conjunto tão forte como aquele, e o Corinthians é um time mais entrosado e mais maduro, acrescentou Marcelinho. "A história será bem diferente, afirmou Vampeta.
Além desta motivação natural por revanche, Oswaldo quer usar a indefinição como fator de estímulo para o Corinthians. Como o próprio técnico, a maioria dos jogadores da equipe, tem o futuro incerto no clube. Com a entrada da Hicks Muse, são esperadas muitas mudanças para o segundo semestre. Do time atual, Nei, Maurício, Rodrigo, Nenê, Gamarra, Pingo, Amaral, Rincón, Marcelinho, Edílson, Mirandinha e Dinei não sabem de fato se continuarão no Parque São Jorge.

"Eu digo que o desempenho deles nessas finais vai ter um peso muito grande nas decisões que o pessoal de cima vai tomar no futuro, disse Oswaldo. O técnico usa a sua própria situação para motivar os atletas. "Se eu ganhar o campeonato, acontecerá uma guinada muito grande na carreira; mas, mesmo se eu perder, a minha permanência dependerá de como vou perder, do trabalho que mostrei. Corinthians: Maurício; Índio, Gamarra, Nenê e Silvinho; Vampeta, Rincón, Ricardinho (Dinei) e Marcelinho; Edílson e Fernando Baiano. Técnico - Oswaldo de Oliveira.

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