Corinthians se apega às suas virtudes
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sábado, 15 de dezembro de 2012
Vítor Marques <br> Agência Estado 
Yokohama, Japão - Ao responder qual é a melhor forma de parar o talentoso trio de meias do Chelsea formado por Hazard, Oscar e Mata, o zagueiro Paulo André, seco, responde: ''Nós marcamos o Neymar na Libertadores. Com posicionamento correto, conseguiremos marcar o Chelsea também''. O Corinthians vai disputar a final do Mundial de Clubes da Fifa, neste domingo, sem nenhum sentimento de inferioridade. É unânime a opinião de Tite e dos jogadores de que a chance de ser campeão é real. O exemplo de Neymar, dado por Paulo André, ilustra isso.
Para conquistar o título no Japão, o Corinthians se apega às suas virtudes: o entrosamento, a compactação e noção de equipe acima dos valores individuais. ''Não podemos achar que cada um vai resolver o problema de sua forma. Somos uma equipe, não podemos nos desestruturar'', disse o zagueiro.
Poucas horas depois que houve a confirmação de que o Chelsea seria o adversário da final, Tite afirmou que as chances de ser campeão estão ''divididas'', 50% para cada lado. O técnico faz com que seu elenco pense dessa mesma forma, por mais complicado que seja enfrentar um time rápido e veloz como o Chelsea.
Paulo André afirmou que o Corinthians vai pressionar o Chelsea, forçando o time inglês ao erro e que é necessário limitar os espaços. Se adotar a estratégia do Monterrey, a de esperar o Chelsea, o Corinthians estará correndo riscos, analisa o zagueiro. Esse é um dos motivos pelo qual Tite estuda mudar a equipe justo na decisão, no principal jogo do ano.
O peruano Paolo Guerrero, autor do gol da vitória contra o Al Ahly, vai mais longe. O experiente atacante, que já atuou na Europa e enfrentou o Chelsea uma vez, disse que o Corinthians tem obrigação de jogar de igual para igual. ''Chegou um momento em que não podemos pensar em jogar defensivamente, vai ser difícil, claro, mas podemos ganhar'', disse Guerrero. ''Esqueçam o primeiro jogo (contra o Al Ahly), podemos jogar no ataque. Temos de jogar pra caramba''.
Autoconfiante, Guerrero afirmou que queria que o brasileiro David Luiz atuasse como zagueiro, e não como volante, para enfrentá-lo. ''Gostaria que ele me marcasse'', afirmou - contra o Monterrey, David Luiz atuou como segundo volante.
Esse discurso otimista vem dos jogadores mais experientes do time, como Paulo André, Guerrero e Emerson, que disse que ganhar o Mundial em cima do Chelsea seria mais bonito e daria mais reconhecimento ao título. O que nenhum jogador e também nem o técnico Tite falam publicamente é que o Santos é o antiexemplo. A derrota do Mundial de 2011 contra o Barcelona tem de servir de lição. Ainda que exista uma diferença técnica entre Corinthians e Chelsea (bem menor do que Barcelona e Santos, é verdade), uma eventual derrota no Mundial não pode deixar uma má impressão. Se perder, admitem os jogadores, que seja de pé.
O que o Corinthians terá, e que será seu diferencial, é a barulhenta e confiante Fiel, que deve dividir o estádio de Yokohama, palco da aguarda final do Mundial.


