São Paulo - Coincidência ou não, os anos de final 7, pela terceira década consecutiva, são de grande sofrimento para os corintianos. Campanhas vexatórias, ameaça de queda, troca-troca de treinadores e escândalos extra-campo são lembranças das temporadas de 1987, 1997 e agora também a de 2007, anos em que o Corinthians passou a maior parte do Brasileiro nas últimas posições.
O Corinthians iniciou a Copa União de 1987, o Brasileiro daquele ano, embalado por uma reação do Estadual. Começava aí a maldição dos anos terminados em sete. No Paulista, o time chegou a ocupar a zona de rebaixamento, mas reagiu e acabou vice. Depois, veio a pior participação alvinegra em um torneio nacional. Após 15 rodadas, o time que tinha em suas fileiras jogadores consagrados como Biro-Biro, Wladimir e Waldir Peres acabou em último lugar, e só não caiu porque não havia previsão de rebaixamento.
Na campanha horrorosa, o Corinthians acumulou sete derrotas e seis empates, vencendo apenas dois jogos. Após mais uma derrota no Pacaembu, a torcida protestou e os jogadores tiveram de deixar o estádio num camburão.
Dez anos mais tarde, a situação ganhou uma boa dose de dramaticidade. Campeão paulista de 1997, o Corinthians penou até a última rodada para se livrar da queda à Segundona no Nacional. E o jogo decisivo aconteceu diante do Goiás, no Serra Dourada, justamente o adversário do jogo decisivo deste domingo.
A redenção, obtida com um 2 a 0 em Goiânia, veio após conturbadíssima campanha, marcada pela dança de técnicos, seca de vitórias e acusações de esquemas de arbitragens para beneficiar o Corinthians. Naquele ano, Wilson Coimbra (interino), Joel Santana e Candinho dirigiram a equipe no Nacional. O time sofreu cinco derrotas seguidas (todas por 1 a 0). E um escândalo de arbitragem que ficou conhecido como ''caso Ivens Mendes'' veio à tona.
O personagem principal da falcatrua foi o então presidente Alberto Dualib que teria oferecido R$ 100 mil à campanha política de Ivens Mendes, então presidente da Comissão Nacional de Arbitragem.
A trajetória do Corinthians neste Brasileiro é bem parecida à de dez anos atrás. Três treinadores também passaram pelo clube, que viu explodir os obscuros negócios de lavagem de dinheiro da parceria com MSI, culminando com a renuncia de Alberto Dualib, que reinava havia 14 anos.
E pensar que ano com final 7 já foi de muito boas lembranças para o corintiano: em 1977, o Corinthians saiu da fila de 22 anos sem títulos com a histórica conquista do Paulista contra a Ponte Preta. Sem contar que a sede do clube fica na rua São Jorge, número... 777!

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