Buenos Aires - O Corinthians nunca somou pontos atuando na Argentina pela Copa Libertadores. Foram três jogos, ambos pela oitava-de-final, como agora, três derrotas e oito gols sofridos. A partir de hoje, às 21h45, no Monumental de Nuñez, em Buenos Aires, jogadores, dirigentes e comissão técnica apostam que vão começar a mudar este incômodo retrospecto. No primeiro encontro do time com Daniel Passarella após sua demissão do Parque São Jorge, a ordem é ter calma, evitar a catimba e, jogando bola, trazer pelo menos um empate diante do River, algoz de 2003.
  O objetivo é voltar para o Brasil sem pressão e jogar no Pacaembu com a classificação já bem próxima, apenas para confirmar o favoritismo.
  Antes do River em 2003, quando perdeu por 2 a 1 em Buenos Aires, o Corinthians já havia caído diante do Boca Juniors (3 a 1 em 1991) e contra o Rosario Central (3 a 2 em 2000). ‘‘Se nunca ganhamos aqui, agora vamos. Iremos ficar perto da vaga’’, esbanja sua tradicional confiança o técnico Ademar Braga. ‘‘Mas o empate também é um grande resultado. Se fizermos 2 a 2 aqui e 0 a 0 em casa, estarei satisfeito e o time, classificado. Libertadores não vale espetáculo e sim vaga.’’ O gol fora de casa pesa na hora do desempate.
  Aos 61 anos, Ademar carrega uma de suas mais tristes lembranças justamente diante de argentinos. ‘‘Não quero que o Corinthians repita o Brasil da Copa de 1990 (na Itália). Lembro como se fosse hoje, perdemos uns cinco ou seis gols, a Argentina veio num único ataque, fez 1 a 0, ganhou o jogo e levou a vaga. E a gente?’’ Na época, ele era observador da seleção brasileira. ‘‘Agora temos pequena vantagem de decidir em casa. Precisamos mantê-la. Por isso, nada de time afoito, desorganizado.’’
  O treinador só tem uma preocupação: o fato de Daniel Passarella, técnico do River, ter trabalhado recentemente no Corinthians. ‘‘Além de o River ser um grande time, acostumado a ganhar, o Passarella conhece nossos jogadores. Eu não tenho essa vantagem, ele sim. E é uma grande vantagem.’’
  Mas há um certo exagero de Ademar. Marcus Vinícius não era o zagueiro da época. Rubens Júnior, pela esquerda, também não. E Mascherano, Nilmar, Ricardinho e Sílvio Luiz chegaram bem depois da saída do argentino.
  O River tem problemas. Passarella tem dúvidas para escalar a equipe. Não sabe quem mandar a campo. Zapata e Montenegro se machucaram. Figueroa segue em recuperação e, para piorar, Farias também sente dores e é problema.


EM BUENOS AIRES

River Plate

Germán Lux; Paulo Ferrari, Julio Cáceres, Danilo Gerlo e Lucas Mareque; Johnatan Santana, Oscar Ahumada, Jairo PatiÀo e Marcelo Gallardo; Gustavo Oberman e Ernesto Farias. Técnico: Daniel Passarella

Corinthians

Silvio Luiz; Coelho, Betão, Marcus Vinícius e Rubens Júnior; Marcelo Mattos, Mascherano, Ricardinho e Carlos Alberto; Nilmar e Tevez. Técnico: Ademar Braga

Árbitro: Carlos Amarilla (PAR)
Estádio: Monumental de NuÀez
Horário: 21h45

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