São Paulo, 17 (AE) - A convocação de Fernando Baiano (Índio também foi chamado) para a Seleção Brasileira Sub-20 que disputará o mundial em abril, na Nigéria, e a inesperada contusão em Dinei (contratura muscular), revelada pelo jogador só ao chegar na concentração, ontem à noite, vão obrigar o Corinthians a contratar mais um atacante. Depois de uma reunião de emergência entre o presidente Alberto Dualib e o diretor de futebol remunerado Luiz Henrique de Menezes, ficou estabelecido que o técnico Evaristo de Macedo vai mesmo necessitar de alguém para jogar - e não apenas para compor o grupo. "Com todas as dificuldades de mercado, o Corinthians vai ter que resolver esse problema trazendo um jogador. Mas agora eu pergunto: quem?, se questionavam os dirigentes.
Furioso com a CBF, Luiz Henrique considerou a convocação de Fernando Baiano um absurdo e prometeu até consultar o Departamento Jurídico para saber se há um meio legal de não ceder o jogador para a Seleção Sub-20. "Não sei se teríamos meios legais para não ceder o Fernando Baiano, mas desde já vou dizer uma coisa: a CBF vai prejudicar o Corinthians, o jogador e a própria Seleção Brasileira. O Fernando Baiano, porque ele já passou da fase do Sub-20 e com certeza vai se arreepender dessa convocação. Ele ainda não tem consciência disso, mas quando chegar lá, vai perceber que a Seleção será um mau negócio para todo mundo, inclusive para ele. E tudo que estou dizendo agora, para vocês, da imprensa, já passei para a nossa Comissão Técnica
que é a Comissão Técnica da Seleção Brasileira".
Para comprovar sua tese, Luiz Henrique cita o desempenho do atacante na Copa São Paulo de Futebol Júnior. "Tanto é verdade que ele já passou da faixa dos juniores, que seu desempenho na Copa São Paulo foi bem aquém do que ele rende nos profissionais. E isso vai se repetir na Seleção Brasileira, o que, aliás, já aconteceu em outras épocas com inúmeros jogadores que já eram profissionais e que foram obrigados a servir a Seleção Amadora, como Cláudio Adão, Edinho, Rosemiro, Tecão, Chico Fraga, Carlos e tantos outros. É como se você, cursando uma Faculdade, tivesse de retornar para a 4ª Série Ginasial. A CBF deveria respeitar mais os clubes, porque são os clubes que a abastecem financeiramente".
Feliz com a lembrança para a Seleção Brasileira mas preocupado com os prejuízos que sua ausência poderá representar para o Corinthians nas três competições em disputa - Libertadores, Copa do Brasil e Campeonato Paulista -, o atacante preferiu deixar as entrevistas para os dirigentes. "Fica difícil para eu falar qualquer coisa, porque são duas coisas com as quais todo jogador sonha: chegar à Seleção e ser titular do Corinthians. Por isso, prefiro manter minha concentração só no próximo jogo", disse o atacante.
O discurso de Índio, o outro corintiano convocado, não foi diferente.
"Essa convocação é o reconhecimento do nosso trabalho. Mas é uma pena que duas coisas boas aconteçam ao mesmo tempo".
Ao contrário de Fernando Baiano e Índio, o atacante Dinei estava inconformado com o seu momento. Depois de investir pesado nos treinamentos físicos e de recuperar o seu melhor condicionamento através de um programa individualizado feito no final de fevereiro, o atacante foi cortado da concentração após passar por uma ressonância magnética e pode ficar fora também da viagem ao Paraguai. "Ficar fora de um clássico contra o Palmeiras já é duro, imagina então não jogar contra o Cerro e o Olímpia em Assunção?", lamentou o atacante.
Para completar a noite trágica de terça-feira, a delegação corintiana encontrou no Hotel Paulista Wall Street um manifesto da torcida pedindo aos jogadores mais raça e ao técnico Evaristo de Macedo mais coragem para mexer nas estrelas - referindo-se, provavelmente, a Marcelinho Carioca. Uma cópia do manifesto foi deixada no elevador do hotel e encontrada pelo segurança Kojak, que tratou de tirá-la dali enquanto os jogadores e a Comissão Técnica jantavam, no restaurante. Mas, ao chegar aos seus apartamentos, os jogadores encontraram outras cópias, provavelmente colocadas por debaixo da porta. "Isso não me assusta e nem muda a minha decisão, porque não acho que seja hora de mexer no time", disse o técnico Evaristo de Macedo, que ainda acrescentou. "Aos 64 anos, e com toda experiência acumulada como jogador e treinador de times de massa, já passei da época de me assustar com esse tipo de coisa".
Já a reação de Marcelinho Carioca ficou entre o desprezo e a preocupação. "Esses caras que fizeram isso não são corintianos, porque corintiano mesmo incentiva os jogadores. É claro que as cobranças existem, e eu assumo a minha responsabilidade. O problema todo é que eu não joguei contra o Cerro e o time fez 8 a 2; joguei contra o São Paulo e o time perdeu de 3 a 0. Mas não me preocupo: nesses 5 anos de Corinthians aprendi muitas coisas. E sei que um gol e uma vitória resolvem tudo".

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