Corinthians paga aos jogadores e ameniza crise
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segunda-feira, 08 de fevereiro de 1999
Por Arnaldo Ribeiro 
São Paulo, 08 (AE) - A diretoria do Corinthians tomou três medidas hoje para tentar abrandar a grave crise que atingiu o clube, que enfrenta problemas financeiros e vem de quatro derrota seguidas no Torneio Rio-São Paulo: pagou boa parte das dívidas que tinha com os insatisfeitos jogadores, decidiu dar mais uma chance, talvez a derradeira, para o técnico Oswaldo de Oliveira e cobrou mais trabalho dos jogadores e da comissão técnica em geral.
Oswaldo comandará o time no clássico de amanhã (10), contra o São Paulo, mas, em caso de nova derrota, é certo que não estará no banco de reservas no próximo dia 26, quando o time estréia na Taça Libertadores, contra o Palmeiras.
Pela manhã, os dirigentes corintianos estiveram reunidos com o presidente Alberto Dualib, que cobrou explicações pela péssima campanha. "Disse ao presidente que nós temos total confiança na capacidade do Oswaldo, que vai fazer o time reagir", afirmou o diretor de Futebol, Luiz Henrique de Menezes.
Depois da conversa com Dualib, Menezes foi falar com o próprio Oswaldo para verificar se ele, apesar do desgaste e da pressão da imprensa e da torcida, estava disposto a continuar. "Era importante saber como ele se sentia, afinal as pressões aumentaram muito", justificou Menezes.
"Não vou jogar a toalha; prefiro aguardar os acontecimentos e dar continuidade ao trabalho da melhor maneira possível", afirmou Oswaldo. "Continuo de cabeça erguida e, se não tenho experiência para o cargo, tenho dignidade para saber onde é o meu lugar", acrescentou, demonstrando estar preparado para uma eventual demissão.
Mesmo "prestigiado", o treinador e principalmente os jogadores não escaparam da cobranças dos dirigentes. "Já era para a equipe estar numa melhor forma técnica, tática, física e psicológica: temos de correr atrás o mais rápido possível", disse Menezes.
Hoje, os jogadores ainda estavam indignados e assustados com as manifestações da torcida, que chamou alguns deles de mercenário e chegou até a invadir o campo do Pacaembu. "Eles foram injustos e não estão levando em conta que conquistamos há um mês e meio um título importante", disse Vampeta. "Ainda não estamos bem preparados; estamos jogando por amor à camisa", disse Marcelinho Carioca.
Dinheiro - Luiz Henrique de Menezes disse que o presidente Alberto Dualib prometeu pagar hoje ou no mais tardar amanhã as férias dos jogadores e 50% do prêmio da conquista do Campeonato Brasileiro.
A diretoria já havia se comprometido a pagar uma dívida de R$ 1,3 milhão, cobrada pela atacante Edílson. O clube vai cobrar depois o Banco Bilbao Vizcaya, que é o dono do passe do atleta e seria responsável pelo compromisso.
Menezes criticou os jogadores que exporam os problemas financeiros do clube na mídia. "É incrível que jogadores experientes tenham feito isso; eles acabaram jogando a torcida contra eles mesmos, como ficou comprovado no Pacaembu."
A esperança para amenizar as dificuldades econômicas do clube é o acerto de um contrato de parceria com o Banco Icatu. Após meses de discussões e do adiamento da assinatura do compromisso por mais de uma vez, o acordo, que renderia de imediato ao clube cerca de R$ 24 milhões, pode sair até o fim da semana, segundo Luiz Henrique de Menezes.
Para o jogo contra o São Paulo, Oswaldo terá mais uma vez problemas para escalar o time. Gilmar, Ricardinho e Rincón ainda se recuperam de contusões. O atacante Dinei fica afastado da equipe por mais uma semana, tentando recuperar a forma física.


