Corinthians não aceita condição de favorito
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sábado, 11 de dezembro de 1999
Por José Eduardo Savoia 
São Paulo, 11 (AE) - Mesmo na condição de campeão brasileiro de 98 e dono da melhor campanha da competição de 99, o Corinthians não aceita a condição de favorito contra o Atlético-MG, no primeiro jogo da decisão do Campeonato Brasileiro. Por enfrentar um adversário em ascensão, e por jogar num estádio com 90% de atleticanos, o técnico Oswaldo de Oliveira entende que qualquer resultado deve ser considerado normal no jogo deste domingo, às 18h30, no Mineirão. "Só uma goleada para qualquer um dos lados seria um resultado atípico", diz o treinador corintiano, que ainda prevê um jogo tenso e equilibrado".
Decidido a jogar pelo título e não por uma vitória, Oswaldo coloca o jogo de amanhã como um termômetro para as possibilidades de sua equipe chegar ao bicampeonato. Um empate na única partida que o time fará na casa do adversário será bem recebido pelos corintianos, mas a hipótese de surpreender o Atlético em pleno Mineirão também não foi descartada. "Um time como o Corinthians jamais despreza os três pontos", assegura o treinador.
Apesar do clima ser quase totalmente favorável ao adversário, o cenário do Mineirão agrada os corintianos. Desde a campanha vitoriosa de 98, o Corinthians tem se saído muito bem nas vezes em que atuou no estádio Magalhães Pinto. Contra o próprio Atlético, venceu por 5 a 1 no ano passado. E no primeiro jogo da decisão contra o Cruzeiro, em 98, deu um passo importante para a conquista do título com o empate de 2 a 2. Agora em 99, voltou a vencer o Cruzeiro por 2 a 0, sempre tendo contra si a pressão da torcida mineira. "Mesmo entendendo que retrospecto não ganha jogo, o cenário do Mineirão me agrada", confessa o treinador corintiano.
Dentro de campo, a previsão é de um confronto entre duas equipes que adotam o mesmo desenho tático. "As maiores semelhanças estão no meio de campo e ataque. Tanto o Corinthians quanto o Atlético jogam com três volantes: um mais atrás, e os outros dois um pouco mais à frente, um na direita, na esquerda, e o quarto homem também flutua atrás dos dois atacantes, que também se assemelham aos nossos. Um é matador, outro é extremamente hbilidoso. Daí a minha conclusão: o jogo deve ser bastante equilibrado".
Outra coincidência entre Atlético e Corinthians é a experiência das duas equipes. Mas, nesse aspecto, o campeão brasileiro leva uma vantagem, segundo os próprios jogadores: é um time mais acostuma às decisões. "Acho que o Corinthians atingiu um nível emocional tão alto que o time já não sente mais a pressão que há numa decisão", atesta o capitão Freddy Rincón, 33 anos.
Nem o fato de o jogo ser no Mineirão, que deve ser tomado pela torcida adversária, pode fazer nossa equipe tremer. E a maior prova disso é que não perdemos nenhum jogo na casa do adversário".
Uma preocupação a parte dos corintianos ao longo da semana também foi mantida hoje, no último treino antes da viagem a Belo Horizonte: os jogadores e o técnico Oswaldo de Oliveira só reservaram palavras de elogios ao adversário. Mais até do que isso: quando um torcedor corintiano apareceu no Parque São Jorge com um galo morto, sugerindo deboche ao Atlético, os jogadores, que faziam o rachão, condenaram a atitude. Em seguida, os seguranças retiraram o torcedor e o galo do clube. "Uma coisa dessas só atrapalha, principalmente levando-se em consideração o alto nível em que os jogadores das duas equipes estão tratando essa decisão", disse o técnico Oswaldo de Oliveira.
Quanto ao time que entrará em campo amanhã no Mineirão, o técnico Oswaldo Oliveira ainda deixou uma pequena dúvida na zaga. Embora Luciano tenha treinado como titular, o treinador corintiano não descartou uma surpresa de última hora: a entrada de Rincón na zaga e a volta de Gilmar como volante. "A tendência é a escalação do Luciano, mas isso ainda não é definitivo", reconhece o treinador corintiano.
Outra unanimidade no Parque São Jorge é em relação à arbitragem. A indicação de Oscar Roberto de Godói foi muito elogiada por todos os corintianos. "É o melhor na atualidade", afirma Vampeta.


