Corinthians lutará contra o rebaixamento
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sexta-feira, 27 de abril de 2007
Agência Estado 
São Paulo - Bastou uma partida para o técnico Paulo César Carpegiani conhecer a realidade corintiana. Trinta seguranças estavam espalhados ontem no Parque São Jorge para evitar a invasão de torcedores. E, depois da derrota por 2 a 0 diante do Náutico, em pleno Pacaembu, que custou a eliminação na Copa do Brasil e provocou violenta reação da torcida, que ameaçou bater nos jogadores, o técnico foi claro e direto.
''Eu tenho de pedir desculpas a nossa torcida. Frustramos muita gente que foi ao Pacaembu. Nós precisamos e vamos mudar muita coisa no Corinthians'', avisou. E não teve pudor em afirmar: ''Nós vamos disputar o Brasileiro para não ser rebaixados. Esse será o nosso primeiro pensamento'', disse.
Diante da surpresa dos jornalistas, ele tentou consertar. ''O São Paulo e o Santos também vão pensar primeiro em não cair no Brasileiro. Esse é o primeiro objetivo de todos os clubes.'' Mas Carpegiani deixou claro o susto diante da fragilidade da equipe que herdou de Leão.
O técnico reuniu-se com o gerente de futebol Ilton José da Costa. E foi direto: os jogadores que tem para trabalhar são fracos demais e ele quer fazer uma profunda reformulação. Ouviu do dirigente que o Corinthians não tem dinheiro para grandes investimentos. Ele respondeu que vai procurar jogadores baratos, mas experientes. Cansou dessa história de ''garotos do terrão'' - atletas formados no Parque São Jorge.
A maior decepção de Carpegiani aconteceu com Lulinha. ''Vou deixar bem claro para não falarem que estou queimando o menino. Eu queria colocá-lo como titular contra o Náutico, mas fui falar com ele em Atibaia e percebi que não estava seguro, preparado para jogar. Diante disso tive de deixá-lo na reserva'', afirmou Carpegiani. ''Ele tem de amadurecer. Não está pronto. Ficou claro para mim que preciso de um time mesclado de jovens com atletas experientes. Só jovens não dá.''
O treinador reconheceu que o time não teve estrutura psicológica para jogar diante da torcida. ''A cobrança foi forte demais para a equipe. Eu não inventei nada taticamente. Os atletas não conseguiram repetir em campo o que havíamos treinado. Faltou consciência.''


