São Paulo, 05 (AE) - Seja qual for o futuro do Corinthians na Libertadores, o destino da equipe atual já está definido: reformulação. A única dúvida é saber em que nível ela vai ser feita, e neste caso, só o segundo jogo contra o Palmeiras pode definir. Em caso de desclassificação, a mudança na equipe será bem mais traumática para alguns jogadores e para a própria Comissão Técnica. Se passar pelo Palmeiras, porém, o grupo terá um crédito a mais até o final do primeiro semestre. Mas, em seguida
como campeão sulamericano ou não, o Departamento de Futebol Profissional será reestruturado.
O próprio presidente Alberto Dualib, ao anunciar o acordo com o novo patrocinador, o Hicks Muse, na semana passada, confirmou os novos planos, que incluem a contratação de vários reforços. A promessa de fazer do Corinthians um supertime, com a chegada de jogadores como Giovanni, Cafu e Antonio Carlos, entre outros, significa que uma boa parte do grupo atual deverá deixar o Parque São Jorge.
É claro que ainda não existe nenhuma lista de dispensa, mas já se questiona o futuro de jogadores como Mirandinha, Rodrigo e até mesmo o goleiro Nei, que apesar de bom goleiro, ainda sofre uma constante perseguição por parte da torcida corintiana, que insiste em compará-lo ao ex-goleiro Ronaldo. O próprio Nei, cansado de tantas cobranças, e muitas delas injustas, chegou a admitir a vontade de deixar o clube se a torcida continuar com as cobranças. "Não há dúvida de que isso cansa e chateia. Às vezes penso que seria mesmo melhor trocar de clube, mas no fundo eu sei que isso é o Corinthians. E se eu ficar concentrado mais nas pressões do que no meu trabalho, o maior prejudicado será eu mesmo".
A própria Comissão Técnica também vive uma situação semelhante e só está garantida até o final do primeiro semestre. Sem o diretor de futebol remunerado Luiz Henrique de Menezes, que se demitiu no sábado, a sobrevivência de Oswaldo de Oliveira e cia. vai depender principalmente do resultado final neste confronto com o Palmeiras, pela Libertadores. Embora os profissionais sejam reconhecidos como competentes pela cúpula do Parque São Jorge, o futuro de cada integrante da Comissão Técnica vai depender do sucesso ou do fracasso de Oswaldinho. Se o time vencer nas suas mãos, as chances desse grupo prosseguir no Corinthians serão grandes. Mas, se o time não passar pelo Palmeiras e não der uma reviravolta no Campeonato Paulista, o caminho deve mesmo ser a contratação de um novo comandante - que, com certeza, vai trazer seus homens de confiança.
Outro personagem com um futuro indefinido no clube é o colombiano Freddy Rincón, cujo contrato vence em agosto. Fora do time há duas semanas em função de uma lombalgia, o jogador comprou uma briga indigesta com a Diretoria ao ameaçar fazer greve se o clube não quitasse a diferença cambial dos salários, que são atrelados ao dolar.
O próprio Rincón já sentiu o seu futuro ameaçado e não garante que vai continuar. "Não sei se eles vão me querer aqui depois de agosto. Aqui no Corinthians você nunca tem certeza sobre o que vai acontecer".
Amarrada ao resultado final nesse confronto com o Palmeiras, a Diretoria, no entanto, aguarda, ansiosa, o início prático da parceria com a Hicks Muse. E garante a permanência do esquema atual apenas até o final do Campeonato Paulista. Ou da própria Libertadores, se o time superar o Palmeiras ao final do segundo jogo, na quarta-feira que vem.

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