São Paulo - A prioridade no Corinthians deixou de ser o título do Campeonato Brasileiro. Até mesmo a conquista da vaga na Libertadores, em 2004, é encarada como acaso. Para não conturbar ainda mais o ambiente no Parque São Jorge, o assunto fica restrito aos bastidores. Mas a verdade é que a diretoria já se debruça sobre o planejamento da próxima temporada. A única expectativa em relação a 2003 é de que o time permaneça em posição intermediária no Nacional, sem maiores sustos.
Na sala da presidência, o tema dominante é aquele que mais interessa aos torcedores: a formação da equipe. Boa parte da lista de jogadores que vão permanecer no clube ou que darão adeus logo após o Brasileiro está pronta. Entre os que ficam prevalece a garotada, principalmente aqueles que frequentemente são convocados para as seleções brasileiras de base, casos do goleiro Rubinho, do atacante Abuda, do zagueiro Betão e do lateral Coelho. Os cartolas partem do princípio de que se esses atletas têm potencial para serem convocados, podem perfeitamente suprir as necessidades corintianas. Além disso, a seleção é a vitrine que os valorizará em futuras negociações.
Se por um lado a garotada está prestigiada, sobretudo depois da ''fogueira'' na qual muitos deles entraram durante o Brasileiro após as seguidas saídas dos mais experientes (Liedson, Jorge Wagner, Fábio Luciano, Kléber e Leandro), os mais experientes deixarão o Parque São Jorge. Nomes como André Luiz, Jamelli, Robert, Cocito e até o lateral-direito Rogério estão com a degola encaminhada.
Dirigentes e comissão técnica ficaram profundamente decepcionados com o rendimento desses atletas. Sobre eles recaía a esperança e responsabilidade de comandar os mais jovens, fato que não ocorreu. Muito pelo contrário. O técnico Geninho, por sua vez, já sabe que a direção do clube não tem intenção de renovar seu contrato.
E não demorou muito para os jogadores começarem a reagir às ameaças que tomam conta dos bastidores corintianos. Ontem, na reapresentação do grupo após a derrota por 1 a 0 para Cruzeiro, alguns deles criticaram abertamente a política de renovação do clube. ''É um absurdo perder tantos jogadores importantes de uma só vez como aconteceu aqui'', afirmou André Luiz, um dos mais ameaçados.

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