Corinthians inicia a luta contra o estresse
São Paulo, 07 (AE) - Já foram 21 jogos em 75 dias. Apesar da intensa maratona, o Corinthians mantém-se vivo nas três competições de que participa simultaneamente. Já está classificado para a segunda fase da Taça Libertadores da América. Segue firme na Copa do Brasil e, se o Campeonato Paulista terminasse hoje, estaria garantido nas semifinais. O bom retrospecto, no entanto, não esconde uma realidade que já preocupa a comissão técnica corintiana: o time está estressado.
O preparador físico Antônio Mello reconhece que o desgaste é grande. Por mais que a equipe de fisiologistas e preparadores tome todos os cuidados para manter o condicionamento físico dos atletas, outros fatores interferem no desempenho de cada um. "Não há preparador físico no mundo que suporte uma maratona de jogos como essa", desabafa Mello. Entre esses fatores, Mello destaca o desgaste com viagens, aeroportos e hotéis, as mudanças na alimentação, as diferenças climáticas dos diversos lugares em que o Corinthians vai jogar e
naturalmente, a falta de tempo hábil para que o jogador recupere as energias perdidas em cada jogo.
Um dos fatores que mais influenciam no estresse que abate a equipe é o psicológico. Desde a saída do técnico Wanderley Luxemburgo, o clube deixou de recorrer aos serviços da psicóloga Suzy Fleury, que fazia um acompanhamento individualizado do elenco, para que cada jogador apresentasse o melhor desempenho em campo. O substituto de Luxemburgo, Evaristo de Macedo, vem de uma escola em que o treinador centralizava várias funções, entre elas, a de psicólogo dos atletas.
Evaristo avalia que, com uma série de jogos importantes, fica difícil manter a estabilidade da equipe. Ele destaca que cada jogo é um desafio para o equilíbrio emocional de cada jogador. "A gente promove treinos duríssimos que são tão cansativos quanto uma partida; só que não há o aspecto psicológico envolvido", comenta. "Se o cara erra o pênalti no treino, eu mando bater de novo; se ele erra no jogo, o mundo cai na cabeça dele."
O treinador acha que o time, por enquanto, está sabendo suportar a maratona. Prova disso são os números: dos 39 gols marcados este ano (incluindo Rio-São Paulo, Copa do Brasil, Campeonato Paulista e Libertadores), 54% saíram no primeiro tempo e 46%, no segundo. Dos 42 gols sofridos, a mesma marca: 54% na primeira etapa e 42% na segunda. Por enquanto o Corinthians resiste ao desgaste. Resta saber até onde vai o fôlego do time.





