Corinthians encara dificuldade financeira
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domingo, 20 de dezembro de 2009
Daniel Batista<br> Agência Estado 
São Paulo - Se dentro de campo a expectativa é de um ano de conquistas para o Corinthians, fora dele a situação não é das melhores. Ninguém esconde no Parque São Jorge que a situação financeira corintiana preocupa. Prova disso é a declaração do diretor de futebol do clube, Mário Gobbi. Estamos vendendo o almoço para comprar a janta, comparou o
dirigente.
Além de manter o time titular deste ano para 2010, o Corinthians tem investido alto em reforços. O lateral-esquerdo Roberto Carlos, o meia Tcheco, o atacante Iarley e o volante Ralf são alguns dos jogadores já contratados. E tudo isso provoca aumento na folha salarial. O vice-diretor financeiro do clube, Raul Correa da Silva, admite as dificuldades, mas explica que o investimento, mesmo que de alto risco, é necessário.
Temos de trabalhar como uma empresa. Para manter o cliente fiel, temos de oferecer um produto de qualidade e o nosso é o time de futebol, justificou o dirigente corintiano. Segundo Raul Correa da Silva, desde que a nova diretoria, comandada pelo presidente Andrés Sanchez, assumiu o comando, o clube não fez mais loucuras com contratações.
A única coisa que fizemos um pouco mais cara foi comprar 80% dos direitos do Defederico (por US$ 4 milhões, cerca de R$ 7,3 milhões). O resto foi negociar dívida antiga, explicou Raul Correa da Silva. Até hoje, o Corinthians ainda paga dívidas antigas com os técnicos Emerson Leão e Daniel Passarella, com o zagueiro Batata, com o atacante Nilmar e com o Lyon, entre outros.
A diretoria divulgou no site oficial do clube a previsão de orçamento para 2010. E os números, que os dirigentes garantem ser conservadores, mostram que, se tudo correr dentro do esperado, o Corinthians deve ter um lucro líquido de R$ 656.375,00. Neste valor estão inclusos os R$ 4 milhões que pertencem ao atacante Ronaldo - o jogador tem direito a 80% do patrocínio arrecadado nas mangas da camisa e no
calção.
Enquanto isso, a Nike continuará sendo a responsável pelo material esportivo do clube, pagando R$ 15 milhões anuais por isso. Já o patrocínio da camisa vai render R$ 27 milhões. Em janeiro, se encerra o vínculo com a Batavo e, segundo Raul Correa da Silva, as negociações ainda estão em andamento. Estamos conversando ainda, mas a Batavo é a prioridade, contou o
dirigente.
Já Mario Gobbi ressaltou que o clube não deixa de pagar seus compromissos. O Corinthians não tem dinheiro. Mas precisamos investir para ganhar. É normal atrasar alguma coisa, mas pagamos tudo. Temos que pagar até dívidas antigas, mas seguimos o padrão do Barcelona. Podemos cortar verba de qualquer lugar, menos do futebol, garantiu o cartola.


