Corinthians encara clássico como jogo-treino
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terça-feira, 09 de fevereiro de 1999
Por Arnaldo Ribeiro 
São Paulo, 09 (AE) - O Corinthians decidiu desafiar a crise e os riscos desastrosos que uma nova derrota pode representar e se programou para encarar o clássico de amanhã com o São Paulo, às 20h30, no Morumbi, pelo Torneio Rio-São Paulo, como um jogo-treino. Mesmo com o cargo cada vez mais ameaçado, o técnico Oswaldo de Oliveira concluiu, com o apoio da diretoria e dos jogadores, que seria melhor iniciar a partir desta quarta à noite o "Projeto Taça Libertadores e relevar as demais competições de que o time participa. No Rio-São Paulo, a equipe não tem mais chances.
"Estou aqui para fazer um trabalho a longo prazo e não para sair amanhã, disse Oswaldo. O objetivo principal, mais do que nunca, passou a ser o clássico com o Palmeiras, no próximo dia 26, pelo torneio sul-americano. As partidas que o time fizer até lá, contra São Paulo (amanhã), Botafogo (sábado) e Ubiratan (dia 18), serão todas preparatórias. Do dia 19 ao 25, o grupo fará uma nova pré-temporada em Atibaia.
Até o dia 26, a comissão técnica vai combater as deficiências específicas de cada jogador. O jogo de amanhã já um exemplo. Quem está desgastado e vem de uma maratona de jogos (Amaral e Vampeta), será poupado. Quem está sem ritmo de jogo (Edílson, Gamarra e Rincón), vai jogar. Quem está sem condição física ou vindo de contusão (Dinei, Gilmar e Ricardinho), terá tempo para se recuperar.
Alerta - Mas quem tem mais tempo de casa, no caso o meia Marcelinho Carioca, acha tudo isso muito arriscado. "Só sei que
se o time não ganhar do São Paulo, o bicho vai pegar; já vi esse filme antes e não quero que ele se repita, disse o jogador, temendo uma reação violenta da torcida, que, na derrota para o Flamengo, chamou os jogadores de mercenários e chegou a invadir o campo.
O diretor Carlos Nujud não deu importância aos comentários de Marcelinho e adiantou que não vai reforçar a segurança dos atletas, da comissão técnica e da diretoria. "O Corinthians já está eliminado, e o São Paulo já está classificado e a partida será no Morumbi: é um jogo de pouco apelo.
Nujud disse que Oswaldo tem total apoio da diretoria, mas o treinador não escapou de uma conversa séria com o diretor de Futebol, Luiz Henrique de Menezes, que cobrou dele um padrão tático ao time até a estréia na Libertadores. "Estamos dando respaldo ao Oswaldo, mas queremos um retorno dele, afirmou.
Apesar de tudo, Oswaldo continua afirmando que não sente nenhum tipo de pressão por parte dos dirigentes e ressaltou mais uma vez que o Palmeiras saiu na frente na preparação para a Libertadores.
Psicóloga e consultor - O técnico corintiano passou a contar desde hoje com o apoio da psicóloga Suzy Fleury, que retornou de uma viagem ao exterior. Ela tem uma palestra agendada com a comissão técnica e com os atletas na concentração do time, esta noite.
Será o primeiro contato de Fleury com o grupo desde que Oswaldo assumiu o time no lugar de Wanderley Luxemburgo. Numa primeira análise, segundo ela mesmo superficial, a psicóloga disse que o grupo ainda não se encontrou em nenhum aspecto, seja técnico, tático, físico e emocional.
Fleury também adiantou que dificilmente a integração total do ano passado irá se repetir. "Os elementos são outros; além disso, se atingir a integração é difícil, manter a integração é mais difícil ainda. A palestra da psicóloga ao novo Corinthians pode ser a primeira e também a última. Ela vai se dedicar exclusivamente à seleção, como Luxemburgo.
Além de Suzy Fleury, Oswaldo conta com o apoio do auxiliar e consultor Valdir Joaquim de Moraes, que exercia a mesma função na época de Luxemburgo. Aos 67 anos, 52 deles dedicados ao futebol, Valdir disse ter a convicção de que "Oswaldo está firme e ainda é o senhor da situação. Segundo ele, enquanto o técnico manter o equilíbrio, "o trabalho estará sendo bem encaminhado. Corinthians: Nei; Índio, Gamarra, Batata e Silvinho; Romeu, Rincón, Edu (Márcio Costa) e Marcelinho Carioca; Edílson e Fernando Baiano (Mirandinha). Técnico - Oswaldo de Oliveira.


