Os jogadores e a comissão técnica do Corinthians elegeram a solidariedade como símbolo da ótima campanha no Campeonato Brasileiro. O time está invicto e é o líder isolado com 20 pontos. A palavra de ordem do elenco corintiano é facilmente pronunciada quando os clubes brasileiros estão em boa fase, mas desaparece, com a mesma facilidade, nos períodos de crise. No Corinthians atual, porém, todos garantem que a propalada solidariedade é sincera, dentro e fora de campo.
‘‘Não está tendo nenhum tipo de vaidade no Corinthians: aqui, não tem titular, não tem reserva e por isso está tudo dando certo’’, afirmou o atacante Dinei, que tem ficado no banco de reservas. Dinei, aliás, desencantou e marcou o terceiro gol do Corinthians (o primeiro dele na volta ao clube) contra o América Mineiro, na rodada de anteontem.
Até a estrela do time, o atacante Marcelinho Carioca, artilheiro do Brasileiro, com nove gols, embala no discurso corintiano. ‘‘Estou conseguindo ampliar a artilharia, mas fico contente em ver o time vencer e jogar um futebol solidário’’, afirmou. ‘‘Em Porto Alegre, após o empate com o Inter, recebemos um telefonema do Amaral’’, lembrou. ‘‘Contra o América Mineiro, todo mundo foi abraçar o Mirandinha, depois do passe para o gol do Edílson’’, acrescentou o jogador, que planeja entrar na carreira artística, como parte de um conjunto musical.
Para o técnico Wanderley Luxemburgo, o atacante Mirandinha é o melhor exemplo da solidariedade que atualmente reina no clube. Em má fase e sem marcar gols, o jogador tem procurado servir os companheiros com assistências precisas. Mirandinha chegou a iniciar uma greve de silêncio com os jornalistas, mas voltou atrás depois de conversar com Luxemburgo e Marcelinho. ‘‘O Miranda está sendo supersolidário, pusemos na cabeça dele a sua importância para o grupo’’, disse Marcelinho. ‘‘Fiquei satisfeito com a reação do elenco em relação ao caso do Mirandinha: todos cresceram emocionalmente, comentou Luxemburgo.
O treinador acha fundamental que a solidariedade se perpetue dentro de campo. ‘‘Edílson e Marcelinho, que estão brilhando, não vão ter liberdade, pelo contrário, só marcação individual: as chances vão aparecer para os demais’’, acredita o técnico.
Segundo Luxemburgo, os adversários entram em campo motivados para derrotar o líder invicto, que é também o time do técnico da Seleção Brasileira.
Interrupção - A alegria no Corinthians só não é completa porque Luxemburgo não poderá repetir pela sétima vez consecutiva a mesma escalação, contra o Guarani, na rodada de sábado, no Pacaembu. Edílson recebeu o terceiro cartão amarelo e cumprirá suspensão automática. Dinei deve ganhar uma nova chance no ataque.
O clube ainda vive crise política, sem presidente, sem eleição e com um interventor. ‘‘Isso não nos afeta em nada: não somos políticos, somos profissionais de futebol’’, disse Luxemburgo, que isola o grupo dos problemas extracampo.

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