Corinthians e Santos jogam sob tensão
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domingo, 06 de dezembro de 1998
Agência Estado 
O clássico Corinthians e Santos, hoje, às 18h30, no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, será um jogo tenso. Há um clima de revanche no ar. Inflada ao longo da semana por xingamentos e acusações de ambos os lados, a histórica rivalidade entre as equipes deixou as arquibancadas e ganhou espaço entre jogadores, técnicos e até dirigentes. Para o Corinthians é jogo de vida ou morte. O time não pode perder. Derrotada domingo passado, no primeiro jogo da semifinal, por 2 a 1, em Santos, a equipe corintiana tem ao menos de arrancar um empate para provocar um terceiro jogo. Se perder, acabou campeonato e o sonho do título.
Depois de ser recebido na Vila Belmiro por uma chuva de moedas, atiradas por torcedores, o técnico do Corinthians, Wanderley Luxemburgo, resolveu dar o troco. Prevê um clima quente para este domingo e, antecipadamente, culpa os dirigentes santistas por eventuais distúrbios que venham ocorre no estádio. Luxemburgo se disse inconformado com a postura de dirigentes do Santos que foram aos jornais e revelaram detalhes sobre o litígio de um pagamento de aluguel em Santos, quando treinava a equipe da Baixada.
O Santos usou de má fé um acordo que eu tinha com o Samir. Os dirigentes vão aos jornais falar sobre um acerto financeiro resolvido há quatro meses, como se fosse uma novidade. Eles fizeram questão de esperar o playoff contra o Corinthians para criar um clima hostil contra mim, disse ele, referindo-se, especificamente, ao presidente do Santos, Samir Abdul Hack.
Várias vezes, o técnico corintiano usou a palavra bandido para definir o tratamento que recebeu no jogo da Vila. Falo e dou nomes aos bois. É o Samir. Ninguém sabe, mas até agora não recebi o fundo de garantia que a lei me garante. Nem eu, nem o Mello, o Paulo Cesar e o Osvaldo, disse ele sobre seus auxiliares. O tratamento que recebei na Vila foi um desrespeito para o cidadão Luxemburgo e um desrespeito para com o técnico da seleção, acrescentou.
Antes de Luxemburgo, no começo da semana, o meia Edílson já havia dado o tom da partida deste domingo. Ele reclamou da violência dos jogadores santistas. Disse que muitos deles foram desleais. Isso não é coisa que se faça. Somos todos profissionais e vivemos disso. Esse tipo de coisa não pode mais acontecer, reclamou o jogador.
O meia Vampeta, no entanto, tentou minimizar o clima de confronto que envolve a partida. Será um jogo nervoso, sem dúvida, mas não podemos entrar em campo armados. Temos que jogar futebol, que é o que a torcida quer, afirmou o jogador.
A preocupação de Gamarra é encontrar uma forma de parar Viola. Nos dois últimos jogos entre as equipes, o jogador santista marcou três gols; dois deles, de cabeça. Ele é excelente por cima. Temos de evitar as jogadas de linha de fundo para diminuir os cruzamentos para a área, ensina.
O Santos tem a vantagem de jogar por dois empates, mas o técnico Leão preparou seu time para vencer o Corinthians hoje e ficar logo com a vaga para a final. Como parte de seu esquema, ele escondeu a escalação, que será confirmada apenas no vestiário, pouco antes da partida.
Jorginho ou Eduardo Marques? Alessandro ou Messias? Essas as principais dúvidas do treinador, que promoveu três coletivos esta semana, cada um com uma formação diferente no ataque e no meio-de- campo.
O volante Marcos Basílio foi poupado dos treinos, por causa de uma contusão na perna esquerda, próxima ao tendão de Aquiles, mas os médicos e o treinador garantem que ele jogará. Caso isso não seja possível, seu substituto será Elder, que participou dos coletivos na posição. A defesa não deverá ter novidades, já que Anderson ainda está recuperando-se de contusão e Baiano será mantido na lateral-direita. Argel e Claudiomiro serão os zagueiros e Athirson o lateral-esquerdo.
No meio-de-campo, porém, começam as dúvidas. Leão pode optar pela experiência de Jorginho, o capitão do time antes de se contundir em setembro, ou do novato e habilidoso Eduardo Marques, que tem apresentado um bom futebol.
No ataque, pode preferir Messias, que faz a função de armador ou Alessandro, um atacante nato. O Santos é uma das poucas equipes que jogam com três jogadores avançados, disse ele.
Mesmo admitindo que seu time será bastante ofensivo, Leão quer uma marcação séria. É essa a maneira do Santos jogar e não iremos alterar esse esquema.
FICHA TÉCNICA
Corinthians
Nei; Índio, Batata, Gamarra e Silvinho; Gilmar, Vampeta, Rincón e Marcelinho; Edilson e Didi. Técnico: Wanderley Luxemburgo


