São Paulo, 02 (AE) - Oswaldo de Oliveira foi surpreendido em seu segundo dia de trabalho como técnico do Corinthians com a notícia do pedido de demissão de Luiz Henrique de Menezes, diretor remunerado de Futebol. Era ele quem havia bancado a volta de Oswaldo ao comando do time no lugar de Evaristo de Macedo, que caiu na madrugada de sábado. "Se eu soubesse que o Luiz Henrique iria sair, talvez nem aceitasse o convite para assumir o time", afirma Oswaldo.
Sua situação, que já era incômoda, só piorou. O técnico não tem o perfil que o novo patrocinador, a Hicks Muse, que está assumindo o Departamento de Futebol do Corinthians, busca: um treinador renomado e experiente. O jeito calmo e compreensivo de Oswaldo também causa desconfianças em alguns jogadores. "No Corinthians, o técnico tem de ser mais enérgico, como era o Luxemburgo, senão as coisas não funcionam", opina o meia Rincón.
Enquanto não chega um diretor para representar a empresa e determinar os destinos do Departamento de Futebol, contratando inclusive um novo técnico para o time, Oswaldo permanece. Suas chances de ficar pelo menos até o fim do semestre estão concentradas nos dois jogos que o Corinthians vai fazer contra o Palmeiras pelas quartas-de-final da Taça Libertadores da América.
O tempo é curto. Oswaldo tenta mostrar pulso gritando com os jogadores nas palestras. Quer se livrar da má impressão deixada na primeira passagem pela equipe principal. "Não sou salvador da pátria, não posso fazer milagres", avisa Oswaldo diante do "incêndio" que tomou conta do clube nos últimos dias. "Sei que o futebol é movido por resultados", afirma. "Vou agir com coerência, porque na minha vida sempre tive de tomar decisões com pouco tempo para pensar; às vezes acerto, às vezes, não." Ele dirigiu o Corinthians em janeiro, substituindo Wanderley Luxemburgo. O time foi mal no Torneio Rio-São Paulo e Oswaldo entregou o cargo à diretoria. A equipe chegou a melhorar
mas ele manteve sua decisão de sair. Evaristo de Macedo foi chamado. De volta ao cargo, ele diz que vai ser mais incisivo dessa vez.
Já Luiz Henrique de Menezes não suportou a pressão. Hoje
ele telefonou para o vice-presidente do clube, Sidney Dualib, dizendo que se estava demitindo. "As coisas não estavam indo bem e não queria ser um empecilho para o Corinthians", justifica o ex-diretor, responsável pela vinda de Evaristo de Macedo. "Algumas coisas não estavam me agradando e decidi sair", comenta Luiz Henrique.
O dirigente vivia em atrito com as lideranças da equipe. Ele chegou a ser cobrado por Marcelinho Carioca, Edílson e Vampeta por ter prometido reforçar a equipe com jogadores fortes e, no entanto, contratou apenas atletas para compor o elenco, como Márcio Costa, Pingo e Nenê.
Agora, com os US$ 100 milhões que a Hicks Muse promete investir no clube no primeiro dos dez anos de contrato da parceria, o Corinthians sonha com um time forte no segundo semestre. Por enquanto, o clube vive dias turbulentos com a transição do comando do futebol corintiano coincidindo com a semana mais importante do ano, quando o sonho de ganhar a Libertadores e disputar o Mundial Interclubes em Tóquio terá uma prova decisiva: passar pelo Palmeiras.

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