Corinthians e Palmeiras fazem hoje o mais importante clássico da história dos dois clubes. Maiores rivais do futebol paulista, eles decidem a partir das 21h40, no Estádio do Morumbi, uma vaga para as semifinais da Taça Libertadores da América - principal competição sul-americana cujo título é inédito para as duas equipes. O clássico de hoje é o de número 300 - o Palmeiras tem 109 vitórias, contra 99 do Corinthians. O Corinthians precisa vencer por três gols de diferença, pois perdeu o jogo de ida por 2 a 0. Se vencer por dois gols de diferença, haverá pênaltis.
As duas equipes jogam hoje sem ‘‘números 1’’. Mais que isso, o goleiro corintiano Maurício e o palmeirense Marcos, ex-reservas que vestem a camisa 12, se tornaram as atrações do jogo.
Esgotados devido a uma maratona de jogos - ambos os times atuaram 34 vezes na temporada - e ameaçados no Paulista - o Corinthians luta com a Barbarense, e o Palmeiras está atrás da Lusa -, os times lutam por título inédito. O Corinthians jamais foi às semifinais da Libertadores. O Palmeiras perdeu as finais de 1961 e 68.
O ambiente no Corinthians ficou tumultuado ontem com o afastamento do goleiro Nei, que dará lugar a Maurício. A comissão técnica, alegando que Nei estava desequilibrado emocionalmente e não passava mais segurança aos companheiros, decidiu deixá-lo de fora até do banco de reservas, ficando Renato, até então goleiro dos aspirantes, como suplente de Maurício.
‘‘Eu o banquei pelo menos umas duas, três vezes, mas agora é o jogo da vida do Corinthians e não dava mais’’, explicou o treinador de goleiros Paulo César Gusmão. ‘‘É só você ver a reação dele dentro do campo para entender. A torcida gritava o nome do Maurício, e ele perdia o controle.’’
Nei, porém, mostrou-se visivelmente irritado com seu afastamento e passou a criticar a comissão técnica e a diretoria do clube. ‘‘Quando ele (Paulo César) disse que eu não ia jogar, só perguntei se era essa a decisão dele. Ele disse sim, virei as costas e fui embora.’’ Segundo Nei, o problema é que os comandantes do futebol corintiano são pessoas fracas, que se deixam influenciar pelo que lêem nos jornais e escutam da torcida.
Maurício, que volta à posição de titular depois de um ano e meio na reserva, disse que está confiante e que pode ter uma atuação tão boa quanto a que teve Marcos, do Palmeiras, na quarta passada. ‘‘Quando fiquei no banco, nunca desanimei, e agora quero mostrar serviço. Se me escolheram para um jogo desses, é porque confiam no meu trabalho’’, disse Maurício.
O técnico Oswaldo de Oliveira acha que ele não sentirá falta de ritmo de jogo. ‘‘Ele jogou domingo, contra o Guarani, e foi bem.’’ ‘‘Mais arriscado seria entrar com o Nei, que não passa por um bom momento. O Paulo César e o Valdir de Moraes me fizeram uma análise do quadro, e acho que tomamos a melhor decisão.’’
Marcos, que ganhou recentemente o lugar que era de Velloso, torce para não ser tão exigido como na semana passada. ‘‘Espero que o destaque da partida agora seja o Nei’’, disse o goleiro palmeirense, sem saber que Maurício estará no gol corintiano.
O Palmeiras garante que não jogará na defesa diante do Corinthians. O técnico Luiz Felipe Scolari garantiu ontem que sua equipe está determinada a conseguir a classificação. ‘‘E jogar na defesa não é a melhor tática’’, ressaltou o treinador. ‘‘Não podemos permitir que o adversário reaja e pressione tanto minha equipe como no jogo passado.’’ Scolari conta com a volta do lateral-esquerdo Júnior, que não participou da primeira partida, em consequência da expulsão contra o Vasco, pelas oitavas-de-final.


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