Agência Estado
O ódio alimentado entre os jogadores de Corinthians e Palmeiras ao longo do ano falou mais alto que o bom futebol das duas equipes na decisão do Campeonato Paulista. O Corinthians conquistou seu 23º título paulista após empatar por 2 a 2 com o arqui-rival, ontem, no Morumbi, em um jogo que terminou em pancadaria. Uma briga generalizada entre os jogadores aos 30 minutos do segundo tempo obrigou o árbitro Paulo César de Oliveira a encerrar o jogo por falta de segurança. O campeonato que a Federação Paulista de Futebol, através do presidente Eduardo José Farah, tentou vender como ‘‘o melhor do mundo’’, teve um desfecho deplorável. Paulo César Oliveira prometeu entregar hoje o relatório sobre os acontecimentos à Federação Paulista.
O clima tenso de rivalidade foi alimentado pelos jogadores desde os confrontos da Taça Libertadores da América, quando o Palmeiras eliminou o Corinthians da competição que acabou conquistando na última quarta-feira. Palmeirenses como Paulo Nunes e Júnior Baiano destacaram que ao Corinthians só restava lutar pelo título paulista. As brincadeiras de Paulo Nunes comemorando os gols com máscaras também aumentou a ira dos corintianos.
A vitória do Corinthians por 3 a 0 no primeiro jogo da decisão foi a primeira resposta dada pelos jogadores do time do Parque São Jorge. A gota d’água da raiva mútua aconteceu aos 30 minutos do segundo tempo. O jogo estava empatado por 2 a 2 quando Edílson recebeu a bola e começou a fazer embaixadas, até controlá-la na nuca.
Os jogadores do Palmeiras se irritaram com a brincadeira do corintiano e partiram para cima de Edílson. Júnior, Zinho e Paulo Nunes correram atrás do jogador e a confusão de instalou em campo. Júnior, Paulo Nunes, Edílson e Renato, goleiro reserva do Corinthians, trocaram socos e pontapés. Uma grande confusão se instalou no campo. A polícia teve trabalho para controlar os ânimos dos atletas dos dois times. Após dez minutos de paralisação, o árbitro deu a partida como encerrada. Não havia mais clima para continuar a partida.
Jogo - Enquanto a bola rolou, o jogo foi bem disputado. Paulo César de Oliveira conseguiu controlar a violência ao expulsar o zagueiro Cléber, do Palmeiras, aos 22 minutos após uma falta violenta em Marcelinho Carioca, praticamente no meio-campo. O próprio Marcelinho abriu o placar a favor do Corinthians aos 34, marcando seu 150º gol com a camisa do clube. Mesmo com um jogador a menos, o Palmeiras virou o placar ainda no primeiro tempo com dois gols de Evair, aos 36 e 39 minutos.
O Corinthians só voltou a empatar aos 28 minutos da segunda etapa, quando Ricardinho criou toda a jogada e tocou para Edílson, que driblou o goleiro Marcos e fez 2 a 2. Dois minutos depois, Edílson manchou a imagem de melhor jogador do campeonato ao desdenhar do adversário e dar início a toda confusão. O Corinthians foi campeão com méritos, mas a briga de ontem é o que vai entrar para a história.


Palmeiras 2
Marcos; Arce, Roque Júnior, Cléber e Júnior; Rogério, Alex (Agnaldo/Galeano) e Zinho; Paulo Nunes, Oseas e Evair. Técnico: Luiz Felipe Scolari.
Corinthians 2
Maurício; Índio, Gamarra, Nenê e Silvinho; Rincón, Vampeta, Ricardinho e Marcelinho Carioca; Edílson e Fernando Baiano (Dinei). Técnico: Oswaldo de Oliveira.
Árbitro: Paulo César de Oliveira
Estádio: Morumbi, em São Paulo
Renda e público: Não divulgados
Gols: Marcelinho Carioca aos 34, Evair aos 36 e aos 39 minutos do 1º tempo; Edílson aos 28 do 2º tempo
Cartão vermelho: Cléber (Palmeiras)

mockup