São Paulo, 28 (AE) - Despesas maiores que as receitas. Grandes dificuldades para saldar a folha de pagamento e fazer contrataçäes. Cansado da deficitária realidade do futebol brasileiro, o Corinthians espera a "independência financeira. O clube espera fechar segunda-feira um acordo de parceria pelos próximos dez anos com o Banco Icatu. "O único caminho possível para um clube brasileiro não quebrar é conseguir uma grande parceria, adequar a folha de pagamento à realidade brasileira e investir nas categorias inferiores, diz o diretor de Futebol do Corinthians, Luiz Henrique de Menezes.
O Banco Icatu, que lidera um pool de investidores, planeja investir pelo menos R$ 430 milhäes no Corinthians durante os dez anos de contrato. Só de luvas (adiantamento) para a assinatura do compromisso, pagaria R$ 26 milhäes. A crise econômica que desvalorizou o real provocou uma nova discussão sobre os valores da parceria e atrasou o acerto final. "Pelo menos, serviu para que o projeto fosse avalizado mais rapidamente pelos setores mais conservadores do clube, disse o vice-presidente de Marketing, Edgard Soares.
Pelo acordo, o banco deve assumir todas as despesas do Departamento de Futebol do clube (salários dos jogadores, viagens, concentraçäes, etc) em troca da gestão de todas as receitas (patrocínio, material esportivo, bilheteria, direitos de TV e licenciamento de produtos com a marca Corinthians).
Além disso, o Icatu promete terminar as obras do Centro de Treinamento do Corinthians e construir um estádio multiuso, com capacidade para 45 mil pessoas. Caso construa mesmo o estádio, prorrogaria o contrato de parceria com o Corinthians de 10 para 20 ou 30 anos. No fim, o banco repassaria o novo patrimônio ao clube.
O banco fez uma auditoria de três meses no Corinthians e concluiu que o clube, apesar de uma dívida de cerca de R$ 15 milhäes, está apto à parceria, segundo o vice-presidente de Marketing do Corinthians, Edgard Soares.
John Michael Streithorst, gerente de Corporate do Icatu, disse que o papel do banco já está definido: assim como o NationsBank, associado ao Vasco, o Opportunity, ligado ao Bahia, e outros bancos de investimento interessados no futebol, o objetivo não é comprar e vender o passe de jogadores, como fizeram o Banco Excel, ex- patrocinador corintiano, e a pioneira Parmalat, que se associou ao Palmeiras.
"Esta é uma visão válida, com lucro a curto prazo, mas nosso objetivo é organizar as finanças dos clubes e lucrar a longo prazo", explica um investidor. "De futebol, não entendemos nada; a gente entende é de dinheiro." Os bancos deixarão as decisäes esportivas, como a contratação de atletas, a cargo dos dirigentes do ramo. No Corinthians, a atual direção será mantida.
Atrativos - O interesse do Icatu pelo Corinthians partiu de uma constatação simples: os negócios envolvendo esportes nos Estados Unidos movimentam recursos de cerca de 3,5% do PIB. No Brasil, em razão da desorganização dos dirigentes, o faturamento do esporte mais popular, o futebol, é irrisório.
Mas os bancos concluíram que, se tomarem conta da administração das finanças, podem multiplicar os ganhos proporcionalmente à fama que o futebol do País tem no exterior. "Se conseguirmos movimentar 1% do PIB, estaríamos falando de US$ 8,5 bilhäes, cifra atraente para qualquer investidor", diz Streithorst. O trabalho dos investidores do Icatu será encontrar formas criativas de obter receita para o Corinthians. "Hoje, só os patrocínios têm valores próximos do que o mercado paga no exterior", explica Streithorst. O Corinthians vai receber R$ 500 mil mensais da Batavo, a nova patrocinadora, número comparável ao do Milan, que, em 1995- 1996, recebeu US$ 550 mil por mês da Opel. A maior diferença está nos contratos de TV e nos recursos obtidos com licenciamento de produtos. Para o Icatu, a perspectiva de lucros na atividade de merchandising é enorme. Segundo a revista Placar e o Ibope, o clube tem 20 milhäes de torcedores.

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