São Paulo, 10 (AE) - Um Corinthians frio, mas só até a hora do jogo. Por trás do discurso de "paz do técnico Oswaldo de Oliveira e dos jogadores, existe um enorme desejo de vitória. O treinador orientou os atletas a evitar provocações ao adversário e comentários sobre o último confronto, que terminou em briga na decisão do Paulista. Mas, ao mesmo tempo, vai dar ênfase ao trabalho emocional, na tentativa de uma motivação extra. Na visão do treinador, o clássico de domingo pode ser definido no aspecto psicológico, já que, segundo ele, existe um equilíbrio técnico. "Temos de reverter o quadro da emoção; canalizá-la apenas para o lado positivo, disse. "O time tem de ser tranquilo, mas não relaxado ou apático.
Uma das especialidades de Oswaldo são as palestras motivacionais, segundo ele tão necessárias quanto o trabalho de campo. O acúmulo de jogos nas duas semanas anteriores prejudicou até a elaboração de seus discursos. "Era muito jogo e eu estava ficando sem argumento; passei a recorrer mais vezes ao Aurélio (dicionário)", brincou. Oswaldo admite que vai ter de relembrar a última partida entre Corinthians e Palmeiras na conversa com os jogadores. "Ainda podem ter sobrado alguns resquícios e eu farei uma apreciação sobre os fatos passados."
Mas, segundo o técnico, o trabalho de reaproximação dos jogadores das duas equipes começou quando ele foi convidado para comandar a seleção paulista num amistoso contra a seleção mineira, pouco após a final do Campeonato Paulista. Na ocasião, Oswaldo fez questão de convocar jogadores dos dois times para diminuir os atritos. "Aquele jogo (final do Paulista) foi um mau exemplo para toda a sociedade; temos de ficar agora de boca fechada e respeitar uns aos outros", disse Marcelinho Carioca.
Ricardinho, para provar que não existe mais ressentimento, fez um acordo com Paulo Nunes. Quem ganhar vai ceder o prêmio e uma camisa autografada para o Teleton, programa da AACD, que será transmitido pela TV Cultura nos dias 17 e 18. "Tenho certeza absoluta que a paz vai reinar", disse Ricardinho, que recentemente participou de campanhas pela paz nos estádios e contra as drogas com os jogadores do Palmeiras.
Edílson, pivô da confusão do último clássico, decidiu não dar declaração até amanhã, após uma conversa com Oswaldo e com o gerente de Futebol, José Roberto Guimarães. Apesar de não admitir o favoritismo, Oswaldo disse que o time tomará a iniciativa como tem feito nos jogos. "Tenho até orgulho em constatar que em raríssimas vezes neste semestre perdemos o controle de uma partida; até nas derrotas para o Boca Juniors (Torneio Teresa Herrera) e Flamengo (Brasileiro), nós dominamos o adversário."
Mando Depois de dar declarações contra a mudança do local da partida, do Pacaembu para o Morumbi, Oswaldo quer usar o fato em benefício próprio. Ele já pede a transferência dos mandos dos clássicos com a Portuguesa, marcado para o Canindé, e com o Santos, programado para a Vila Belmiro. "Espero que seja utilizado o mesmo critério, o da segurança, para mudar os locais destes jogos."

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