Imagem ilustrativa da imagem Coração valente
| Foto: Marcos Zanutto
"Sou muito controlador e preciso atribuir mais funções para a minha comissão técnica", avalia o comandante do Tubarão no retorno ao clube



O destaque no Londrina ontem foi a primeira entrevista do técnico Claudio Tencati após o seu internamento na semana passada. O treinador agradeceu as inúmeras mensagens de apoio que recebeu de diversos torcedores e garantiu que está totalmente recuperado para seguir no comando do alviceleste.
Na madrugada de quinta-feira, Tencati sentiu fortes dores no peito e ficou pouco mais de 24 horas internado. O comandante foi diagnosticado com um espasmo coronário, um estreitamento da artéria, em virtude de um quadro de estresse agudo. Após três dias de descanso, Tencati voltou a trabalhar na segunda-feira. "É uma coisa que a gente não espera e por isso gostaria de agradecer o acolhimento e o carinho das pessoas. Felizmente foi uma coisa bem fraca e agora é dar continuidade ao trabalho", apontou.
O técnico do LEC afirmou que foi difícil se distanciar do dia a dia do clube, mesmo de repouso em casa, e que passou o fim de semana assistindo jogos da Série B e vídeos do Sampaio Corrêa, o adversário de sábado, no Estádio do Café. "Talvez isso que tenha acontecido deixa o exemplo do nosso comprometimento e responsabilidade pelo clube. Quem é assim sofre mais. Mas, esse é o meu foco e não posso deixar de trabalhar".
Aos 42 anos, Tencati reconheceu a forte pressão que a profissão causa e lembrou de outros treinadores, como Muricy Ramalho, Ricardo Gomes e Lívio Vieira, que passaram por situações mais graves. "Confesso que se estivesse na condição do Ricardo não trabalharia mais como técnico e iria procurar uma função mais tranquila no futebol. A vida é importante e não se pode brincar".
Para o comandante alviceleste, a cultura do futebol brasileiro sobrecarrega o treinador e desgasta muito os profissionais. "O técnico está no centro de um processo e tem que dar respostas ao presidente, jogadores, imprensa, torcida, além da família. Quando o time perde você tem que dar explicações de tudo que está acontecendo", frisou. "Diferente da Europa, ao longo do tempo, os jogadores passaram a não dividir essas responsabilidades. Se passou a blindar o jogador e a comissão técnica fica na linha de tiro", avalia.
Após o susto, Tencati admitiu a necessidade de rever alguns hábitos da vida particular e profissional. "Você tem que encontrar uma válvula de escape em atividades que busquem um equilíbrio emocional e diminuam a ansiedade e a pressão", relatou. "Sou muito controlador e preciso atribuir mais funções para a minha comissão técnica desenvolver o trabalho".
Em relação à família, o treinador revelou que o susto foi grande, mas que tem o apoio de todos para continuar desempenhando sua função. "Temos os nossos sonhos, que é o mesmo do Londrina. Quero ter sucesso e o meu sucesso vai ser o triunfo do Londrina também".

mockup