Descobrir e lapidar talentos no esporte não é uma tarefa fácil. A falta de apoio, em muitos casos, impede a continuidade de um trabalho que poderia render frutos, ou seja, conquistas no futuro. Por outro lado, existem casos por sorte muitos em que a perseverança e a vontade de vencer e ensinar os mais jovens superam as adversidades. O técnico de atletismo Moacir Marconi, o Coquinho, é um exemplo claro de um profissional que não esmoreceu frente às barreiras impostas pela ausência de sustentáculo em seu trabalho.
Depois de buscar e não obter apoio em vários municípios, Coquinho teve seu projeto de trabalho, o ''Esporte Educação'', aprovado em Nova Santa Bárbara, cidade de 4 mil habitantes, localizada a 70 km ao sul de Cornélio Procópio. Através do projeto cerca de 300 crianças e adolescentes carentes são atendidos diariamente no contra-turno escolar, em aulas de futebol, natação e, logicamente, atletismo, sua especialidade.
Coquinho observa que o principal objetivo do projeto é tirar as crianças das ruas. ''Em três anos de trabalho, já conseguimos revelar alguns talentos'', ressaltou.
Mas não é exatamente pelo trabalho com crianças que Coquinho é nacionalmente conhecido. Há dois anos, ele vem atuando como treinador e agente de atletas quenianos, que passam de dois a três meses em Nova Santa Bárbara aprimorando a técnica e se preparando para a participação em provas brasileiras. Atualmente, cinco quenianos estão no Brasil vivendo em uma casa construída exatamente para recebê-los. ''Procuro passar para eles (quenianos) um pouco dos hábitos e da cultura brasileira'', diz o técnico.
Dentre os quenianos, dois já são mais experientes, contando com títulos internacionais em seus currículos. Elijah Yator, 23 anos, foi campeão da Maratona de Rochelle, na França, da Meia-Maratona de Nazaré, em Portugal, além de ter vencido a Meia-Maratona de Salvador e do Círio de Nazaré, em Belém, mais recentemente. Já Margaret Karie, 26 anos, foi campeã da Maratona da Bélgica, em 2003, e de São Paulo, em 2004.
Os outros três são mais inexperientes, sendo que dois Anne Bererwe, 23 anos, e Charles Korir, 24, nunca haviam saído do Quênia, país africano conhecido por sua pobreza e por seus corredores de longa distância. A outra atleta é Josephine Kipkemboi, 30. Apesar do pouco tempo no país, os três já conseguiram bons resultados em provas nacionais.
Para essa semana está prevista a chegada de mais um queniano em Nova Santa Bárbara. Chirus Kataron, 19, conquistou a medalha de bronze nos 5 mil metros do Campeonato Mundial de Menores, disputado esse ano, no Marrocos. Todos deverão permanecer no Paraná até janeiro. ''Disputar provas no Brasil é importante para o currículo desses atletas, que depois passam a disputar grandes provas internacionais'', explicou Coquinho.

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