São Paulo - Com 64 times e mais de mil jogadores em campo, começa hoje a Copa São Paulo de Juniores, tradicional torneio de início de ano, considerado a maior vitrine do futebol brasileiro. Todos os times estréiam no mesmo dia, com jogos às 14 e às 16 horas. A segunda rodada será na quarta-feira e a terceira no dia 12. A competição vai até o dia 25 de Janeiro, dia do aniversário da capital paulista.
Na primeira fase, os 64 times estão divididos em 16 grupos de 4 equipes, em 16 cidades paulistas. Depois, apenas o primeiro de cada chave avança à segunda fase, que será em sistema de mata-mata.
Desta Copa, que teve sua primeira edição em 1969, já saíram ídolos do futebol brasileiro como os volantes Falcão e Cerezo, o atacante Jardel e os meias Djalminha e Denner. Nas últimas edições, porém, as principais figuras do torneio não têm conseguido mostrar o mesmo talento quando sobem para o profissional.
Em compensação, jogadores hoje consagrados como Kaká, Diego e Robinho passaram quase desapercebidos pela competição. Em 2001, Kaká foi reserva do São Paulo, que terminou a competição em segundo lugar. O titular na sua posição era Harisson, que não se destacou como profissional.
Dias depois da final da Copa SP, Kaká fez os dois gols do time profissional do São Paulo na decisão do Torneio Rio-São Paulo, quando a equipe do Morumbi conquistou o título em cima do Botafogo, e começou a se destacar no futebol brasileiro.
No ano passado foi a vez dos santistas Diego e Robinho passarem incógnitos pela Copa. Eles defenderam o Santos que foi eliminado nas oitavas-de-final pelo Flamengo. Robinho, aliás, era reserva de Douglas e William. Menos de um ano depois, os dois brilharam na conquista do Campeonato Brasileiro pelo time da Vila Belmiro e hoje já interessam as maiores equipes do mundo.
Por outro lado, os destaques da última Copa São Paulo foram o meia Wendell, do Cruzeiro, e os atacantes Alex Afonso e Iotte, ambos da Portuguesa, que ficou com o título da competição. Os três ainda não conseguiram brilhar no profissional.
Quem também decepcionou no profissional foi o técnico Edu Marangon, talvez a maior revelação da edição de 2002. Impulsionado pelo título do torneio de juniores, Edu dirigiu a Portuguesa no Brasileirão, mas o time do Canindé acabou rebaixado. Na campanha, bastante irregular, o treinador utilizou vários jogadores que foram campeões da Copa São Paulo.
Esse ano, a Portuguesa defende o título de técnico novo: Ruy Scarpino. Do elenco que venceu o Cruzeiro por 1 a 0 (gol de Kesley), apenas cinco jogadores permanecem: Evaldo, Alexandre, Rafinha, Peter e Gilberto.
A esperança do clube, que estréia contra o Criciúma às 16 horas, em Sorocoba, é o atacante Fabiano, que marcou sete gols no Paulistinha. ''Nós estamos em um grupo difícil. O Criciúma sempre fez boas apresentações e o Atlético Sorocaba está em boa fase'', analisa Ruy Scarpino.
Santos - Motivação é o que não falta ao time de juniores santistas campeão da Copa São Paulo em 1984 , principalmente depois da conquista do inédito título brasileiro em que brilharam os jovens Diego e Robinho reserva no torneio do ano passado. Outros cinco campeões nacionais jogaram a Copa SP em 2002: William, Douglas, Bruno Moraes, Leandro e Wellington.
''Esses jogadores nos servem de exemplo. Assim como nós, eles passaram por dificuldades nas categorias de base'', afirma o meia Ednei.
Assim como na equipe profissional, as atenções estão voltadas para um atacante: Jerri, artilheiro do Campeonato Paulista da Série B-3 (com 19 gols), jogando pelo Jabaquara. ''Espero realizar uma excelente competição e conseguir chegar ao profissional'', diz o gaúcho de 21 anos.
Palmeiras - O clube nunca venceu a Copa São Paulo de Juniores, mas desta vez encabeça a lista dos favoritos, já que conquistou o título do Campeonato Paulista da categoria, em dezembro do ano passado. Mas o técnico Karmino Colombini prefere não assumir o favoritismo por causa da fórmula de disputa do torneio. ''Se você perder o jogo de estréia, as chances de recuperação são pequenas'', justifica.
A esperança de gols da equipe do Palmeiras é o atacante Vágner, que marcou 32 em 21 jogos disputados no Paulista Sub-20. ''O Brasil estará assistindo ao torneio e acredito que se for bem terei chance na equipe profissional'', analisa o jogador.
São Paulo - Ao contrário das outras edições da Copa São Paulo, o clube do Morumbi desta vez não está entre os favoritos ao título. O motivo é a reformulação feita nas categorias de base depois da posse do presidente Marcelo Portugal Gouvêa, que não acredita na conquista do título.
A maior prova disso é que o clube manteve a base da equipe que disputou o Campeonato Paulista Sub-20. E o jogador mais experiente é o meia Aílton, contratado para a disputa da Copa São Paulo, que já fez dois jogos na equipe profissional.
Corinthians - O clube entra para a disputa da Copa São Paulo não apenas com jogadores juniores. A comissão técnica incluiu também alguns jogadores de uma categoria abaixo (de 16 e 17 anos) e outros mais experientes, uma receita que pode dar certo e levar ao título. ''Trouxemos jogadores do time de cima (Betão e Ferretti), três do Corinthians B e promovemos seis jogadores do juvenil, para dar experiência a essa molecada'', revela o técnico Eusébio Gonçalves, o Lelo.
O jovem atacante Bobô, de 17 anos, é o maior exemplo. Paraibano, há três anos no clube, ele foi artilheiro do Corinthians no Campeonato Paulista Juvenil, com 13 gols. ''Vou procurar jogar na equipe de juniores da mesma maneira que atuava no juvenil'', garante.

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