'Copa é uma feira de futebol'
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de maio de 2002
Gilmar Agassi<br>Equipe da Folha 
Cascavel - Pode parecer estranho que um jogador de futebol que tenha disputado duas Copas do Mundo considere a competição uma feira de futebol, mas é exatamente assim que Sócrates se refere quando fala do evento que reúne as melhores 32 seleções do mundo. O ex-jogador que disputou as Copas de 82 e 86 esteve anteontem, em Cascavel, participando de um encontro de negócios.
Para tentar explicar sua posição sobre Copa do Mundo, doutor Sócrates, como ficou conhecido, diz que a cada quatro anos os industriais apresentam seus produtos (jogadores) para vender. Apesar da visão negativa da competição, o ex-jogador do Corinthians acredita que o Brasil tem condições de sair campeão da Copa Coréia-Japão, que começa no próximo dia 31. Se fosse um campeonato longo, certamente o título ficaria entre Argentina e França, diz.
Sobre a convocação feita pelo técnico Luiz Felipe Scolari, ele diz que falta um armador, que em sua opinião, deveria ser o meia Ricardinho, do Corinthians. Sócrates preferiu não fazer críticas a Luiz Felipe Scolari, porém disse que cada um tem seus preferidos. O ex-jogador entende que o Brasil é um País privilegiado em relação ao futebol, pois tem várias opções para formar uma seleção. Vários jogadores brasileiros foram campeões em campeonatos europeus, ressalta.
Sobre Romário, que se tornou quase que um clamor popular, Sócrates entende que se o atacante fosse convocado precisaria se montar um esquema especial para valorizar suas qualidades. Ele completou que o mesmo aconteceria se o centroavante Jardel fosse selecionado. Precisaria ter alguém que colocasse a bola em sua cabeça, algo em que nossos laterais são deficientes.
Ainda falando sobre Copa do Mundo, Sócrates garantiu que não sente qualquer tipo de frustação por não ter conquistado o título nas duas vezes que participou. Questionado sobre o pênalti perdido na partida contra a França, que eliminou o Brasil da Copa de 86, o doutor respondeu que era um dos mais experientes e que não poderia fugir da responsabilidade. Só perde quem bate, acrescentou.
Apesar de toda divulgação na mídia, Sócrates disse também que nunca alimentou esperanças de ser presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), por não considerar isso uma proposta de vida. O ex-jogador explicou que essa possibilidade foi uma bandeira que ele levantou na tentativa de ajudar na moralização do futebol brasileiro.
Sobre a situação dos grandes clubes brasileiros que estão atolados em dívidas, Sócrates declarou que não são os nomes que devem mudar, mas sim a conduta dos dirigentes. Para ele, alguns clubes além de serem mal-administrados, estão sendo roubados por seus dirigentes.
Ao final da entrevista, Sócrates confidenciou que durante sua infância era torcedor do Santos, que naquela época contava com Pelé. Me tornei corintiano quando fui jogar no Parque São Jorge.


