Com a concorrência desleal da Copa do Mundo da Alemanha, a 10ªedição do Encontro dos Boleiros de Londrina não foi a reunião de jogadores de futebol mais importante nessa época do ano. No entanto, não ficou atrás em animação e quantidade de histórias vividas dentro das quatro linhas. Também, foram perto de 240 ex-atletas profissionais e amadores que fizeram parte da história local do esporte preferido pelos brasileiros.
  Como nas edições anteriores, o evento reuniu muita gente que ainda mora em Londrina e região e outros que vieram de muito longe. Caso de José Roberto Bergamo, 55 anos, que veio de Campo Grande (MS) especialmente para rever os amigos na confraternização.
  E como não podia deixar de ser, o Mundial da Alemanha era um dos principais temas das rodas de conversa, além, é claro, das recordações do passado. Os ex-atletas não pouparam críticas ao nível técnico da Copa. Nem a seleção brasileira escapou.
  ‘‘Hoje na Copa tem jogador de muita fama e pouco futebol. Na seleção brasileira quem está melhor é o Kaká, que joga objetivamente e sempre busca o gol. E um time que pode surpreender é a República Tcheca, que apresentou um belo futebol’’, analisa Bergamo, que atuou pelo Corinthians no Campeonato Amador de Londrina.
  Outro que veio de longe foi Newton Januzzi, 74, também conhecido como Zé Pequeno. O ex-goleiro, que hoje mora em Campinas (SP), também jogou basquete e vôlei nas décadas de 1960 e 1970 em Londrina. É outro que alfineta o desempenho da seleção brasileira. ‘‘É preciso renovar a seleção, inclusive o técnico, o pé de uva’’, brinca, fazendo alusão a Carlos Alberto Parreira.
  A nostalgia também deu o tom. Um painel abrigava fotos de dezenas de times que disputaram campeonatos em Londrina em meados do século passado. Os ex-boleiros procuravam se reconhecer nos registros fotográficos expostos, que traziam recordações de bons momentos.
  Aliás, boas recordações do tempo em que o futebol era mais forte na cidade e motivo de orgulho para os londrinenses. Bem diferente da atual situação. ‘‘Hoje a cidade tem dois times que ficam brigando pelo nome e nenhum time de chegada’’, criticou Paulo Roberto Silva, 61, o Gereba, ex-jogador do Londrina e da Portuguesinha.
  Outro que faz parte da história do esporte bretão na cidade é Jorge Scaff. Ele jogou em times amadores e foi um dos principais técnicos do Londrina. Orgulha-se ao falar do recorde obtido no final dos anos 1950. ‘‘Fui o técnico do Londrina por dois anos e quatro meses consecutivos’’, relata. E justamente numa época em que o futebol, acredita ele, era mais bonito.
  ‘‘Os esquemas táticos são só preocupados com a defesa. Hoje, 3 a 0 é goleada de chamar a atenção. Antigamente o futebol era mais alegre’’, afirma Scaff, como não podia deixar de ser, sem esconder o saudosimo.

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