ELEITOREIRA Copa do Brasil começa hoje cheia de confusão Agência Folha De São Paulo É um torneio em sistema eliminatório com 69 clubes, dos quais 40 entram na primeira fase, 24 na segunda e cinco na quarta. Um Estado sem nenhuma tradição na competição possui mais representantes nela do que outros que já produziram um campeão ou um vice. A tabela só está definida até a terceira fase, os horários das partidas só foram anunciados para os próximos 15 dias e vários mandos de jogos só serão decididos nas próximas semanas – provavelmente depois de se saber quem serão os times. Na primeira fase, alguns clubes terão que atravessar o país para jogar, enquanto outros nem sairão da sua cidade, pois o rival é de lá mesmo. Não estão definidos os jogos que serão exibidos pela TV. E, mesmo antes da estréia, a data de alguns jogos já foi alterada. Gostou? Não? Para a CBF, pelo jeito, tanto faz. Pois isso tudo, e muito mais, acontece ou aconteceu na Copa do Brasil-2000, cuja disputa começa hoje, mais bagunçada e inchada do que nunca. No ano em que até os campeonatos estaduais caminham rumo à organização e parceria com as emissoras de TV, a Copa do Brasil mantém seu improviso. Em uma semana, a tabela da competição foi alterada três vezes. Um dos motivos foi que na quarta fase, a tabela, por engano, previa a inclusão de equipes eliminadas e a exclusão de outras que tivessem ganho todos seus jogos. Vários jogos deverão ter suas datas ou horários mudados, pois ainda não foi definido o que será exibido pela televisão. Para escapar de um calendário completamente superlotado, a CBF decidiu dar uma vantagem aos clubes que disputam a Taça Libertadores da América – eles só entram na quarta fase, quando os 64 times que entram nas duas primeiras eliminatórias tiverem sido reduzidos a 11. Um dos símbolos da falta de senso de organização e oportunidade são os jogos que foram colocados para abrir a competição. Em Patos de Minas, a URT recebe o Fluminense. Em Campos (RJ), o Americano enfrenta o Paraná. Os destaques desses jogos são os visitantes, que disputarão a Série B do Brasileiro. Os dois estádios estão longe de estar entre os melhores do país. A URT e o Americano, aliás, nem faziam parte da competição quando foi divulgada a primeira tabela. A primeira foi incluída por pressões de políticos. O segundo, que tem como protetor o presidente da Federação do Estado do Rio, Eduardo Viana, entrou de ‘‘carona’’, junto com Caxias e Botafogo-SP. Que algumas equipes tenham sido incluídas por pressões políticas não é novidade na CBF, como já não era na sua antecessora Confederação Brasileira de Desportos. A novidade é a forma como foi feita. Depois de publicada a tabela, ainda com 65 times, a URT, de Minas Gerais, protestou por ter ficado fora. Afinal, ela vencera a Taça Minas Gerais do ano passado e a Federação Mineira havia prometido ao campeão do torneio regional uma vaga na competição nacional. Mas a CBF, que dera o aval à promessa, mudou de idéia depois. O motivo seria uma retaliação do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, ao apoio velado de Elmer Guilherme, presidente da Federação Mineira, à candidatura de oposição na eleição da CBF, que foi encabeçada por Eduardo José Farah, da Federação Paulista. Até a Justiça ajuda, involuntariamente, a tumultuar ainda mais o torneio. Um dos confrontos, Gama x Cruzeiro, corre o risco de ser adiado mais uma vez -deveria acontecer ontem e foi remarcado para terça-feira. Nesse caso, a razão é uma disputa entre a CBF e o tricampeão do Distrito Federal, originada pelo caso Sandro Hiroshi.

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