Existem momentos em que adjetivos não são o bastante para descrever uma partida. Ontem, em Buenos Aires (ARG), João Souza, o Feijão, e Leonardo Mayer protagonizaram uma verdadeira batalha em quadra no quarto duelo válido pela primeira rodada do Grupo Mundial da CopaDavis. Um jogo épico. No fim, vitória do argentino por 3 sets a 2, com parciais de 7- 6 (7-4), 7-6 (7-5), 5-7, 5-7 e 15-13, após 6h42 de jogo.
O duelo quebrou todos os precedentes da competição, tornando-se a partida mais longa da história da Davis e o segundo jogo mais longo do tênis mundial (em simples).
No último set, os dois tenistas basicamente se arrastavam tentando acertar a bolinha. Tanto que Leo Mayer precisou de 11 match points até conseguir, finalmente, fechar o jogo de cinco sets. Enquanto isso, as torcidas de Brasil e Argentina davam um show à parte.
Em um esporte em que o silêncio é valorizado, o barulho fez a diferença. Em certo momento, o árbitro não pedia mais que o público baixasse o tom: fez parte do espetáculo.
A cada ponto, os tenistas pediam a participação da torcida, como combustível para o impulso e forças que eles não tinham mais de onde tirar.
Nos dois primeiros sets, o brasileiro lutou, mas viu Mayer fechar com autoridade os dois tie-breaks.
A partir do terceiro set, novo jogo. Feijão atacou mais as falhas do adversário, como uma direita que, apesar de imponente, errava muito. O terceiro e quartos sets foram diferentes para o aguerrido visitante.
Mas a épica batalha entre os dois estava longe de terminar quando o quinto set iniciou. Por 2h30 os dois batalharam ponto a ponto, até o brasileiro sucumbir frente a Mayer.
Se existiam dúvidas sobre o potencial de Feijão, o tenista tratou de afastar os questionamentos. Após quase cinco horas de jogo contra Carlos Berlocq na última sexta-feira, ele mostrou ontem força física e, principalmente, mental. O brasileiro está pronto para voos mais altos.
E assim encerrou-se a epopeia na Copa Davis. Agora, duelo empatado: 2 a 2. A responsabilidade de devolver o Brasil às quartas do torneio é de Thomaz Bellucci, hoje, às 11h (de Brasília), contra Federico Delbonis.
Seria esse outro duelo histórico?

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