COPA DAVIS - Nas alturas
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segunda-feira, 15 de setembro de 2014
FELIPE DOMINGUES<br>[email protected] 
Herói. Há tempos o tênis brasileiro não tem um protagonista para chamar assim. Agora, ao menos neste fim de semana, o posto está ocupado por Thomaz Bellucci. Ontem, no Ginásio do Ibirapuera (SP), o número 83 do mundo jogou como um top 10 e bateu Roberto Bautista Agut (15o-) por 3 a 0, com 6-4, 3-6, 6-3 e 6-2, devolvendo o Brasil à elite da Copa Davis.
Na sexta-feira, Bellucci teve uma reação incrível, saiu de 2 sets a 0 para uma improvável vitória sobre Pablo Andujar (44º), por 3 a 2.
Ontem, havia algo diferente em sua maneira de jogar. Muitas vezes criticado por sua inconstância dentro dos jogos, o brasileiro não deixou dúvidas de que a técnica que o colocou entre os 20 melhores do mundo em 2010 ainda está lá. E o espanhol Agut sentiu isso na pele.
Focado desde o início da partida, o brasileiro sacou com a mão pesada, acima dos 200km/h, e fechou o set com duas quebras, em 47 minutos.
No segundo, vacilou, deixando Agut abrir larga distância e, quando voltou para o jogo, já era tarde, e o espanhol estava com a parcial na mão.
Mas o sprint do fim do set teve parte de seu objetivo atingido: pressionou o rival. Errando e irritado com a torcida, o espanhol deixou o brasileiro dominar e fechar a parcial.
No set final, Bellucci fez de tudo: smashs, dropshots, paralelas, slices... Jogou o fino do tênis, colocou Agut contra a parede, bateu no peito, levantou a torcida e, enfim, colocou o Brasil na elite do tênis mundial.
A vitória foi sua 13ª (em 15 jogos no saibro) na Copa Davis. Como comparação, Gustavo Kuerten tem 17 triunfos e sete derrotas no piso.
Enrolado na bandeira brasileira, foi jogado para o alto, ovacionado, tomou um banho de champanhe, sorriu, chorou... Foram necessárias apenas três horas para que Thomaz Bellucci fosse visto com outros olhos: como um verdadeiro herói.




