COPA DAS CONFEDERAÇÕES - Dida recusa a braçadeira de capitão
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quarta-feira, 15 de junho de 2005
Luís Antônio Prósperi<br> Agência Estado 
Leverkusen - Dida rejeitou ontem o posto de capitão da seleção brasileira, vago desde as férias de Cafu após o jogo contra a Argentina, dia 8, em Buenos Aires. O goleiro não quis muita conversa e passou a responsabilidade para Carlos Alberto Parreira. Roque Júnior ou Emerson, um deles será eleito pelo treinador para usar a tarja azul no braço esquerdo contra a Grécia.
Parreira foi quem anunciou a decisão do goleiro do Milan. Um dos mais experientes e mais velhos do grupo, Dida, 32 anos, foi consultado pelo técnico. ''Por respeito, ele seria o capitão natural. A CBF, diferente de outras confederações, não estabelece um critério para definir o capitão. Fomos ouvir o Dida e ele ponderou que não gostaria de receber tal incumbência''.
O goleiro recebeu Parreira, mas se manteve firme. ''Ele me disse que pelo seu jeito, temperamento pacato, não serviria para assumir o cargo. Sem o Dida, vamos resolver esta questão hoje'', adiantou o treinador. ''Sem o Cafu e o Roberto Carlos, a opção natural seria o Dida, mas ele não quis''.
Roque Júnior, candidato mais forte ao posto, disse que o capitão tem importância relativa. ''O capitão é aquele que usa a braçadeira, mas a responsabilidade é de todos. Temos de conversar entre nós, chamar atenção e aplaudir de acordo com a situação''.
A capacidade para manter o autocontrole foi colocada em teste ao lhe perguntarem o que fazer para evitar, na competição alemã, novo 'chocolate' uma derrota constrangedora, na gíria do futebol como aquele de oito dias atrás em Buenos Aires. ''Não acho que houve chocolate nenhum'', foi a resposta, pronta, sem vacilo.
Emerson repetiu Roque Júnior. Alertou para a necessidade de um cobrar o outro e, nos momentos difíceis, um ajudar o outro. ''O capitão tem as suas responsabilidades, só que não é o grande líder do time. Deve prevalecer o espírito de cooperação''.
Robinho O atacante do Santos sabe muito bem quanto pesa o jogo de hoje contra a Grécia. Se nas costas de Ronaldinho Gaúcho a carga é de apenas alguns gramas, na sua, imagina-se, uma tonelada. Parreira já adiantou que o torneio será o grande teste de Robinho. Os europeus, que nunca viram ao vivo as pedaladas, estão curiosos. E os mercadores de jogadores molham a boca de cobiça.
Tantos holofotes seriam suficientes para encabular o craque do Santos. Ontem, depois do treino de reconhecimento do gramado do reformado estádio Zentralstadion, Robinho demonstrou certa ansiedade, mas não tremeu. Ouviu perguntas de brasileiros, gregos, espanhóis, italianos, alemães, ingleses, de gente estranha, bem diferente do que está acostumado.


