Copa a cada dois anos ganha adeptos
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terça-feira, 05 de janeiro de 1999
Agência Estado-Reuters 
O projeto do presidente da Fifa, Joseph Blatter, de organizar uma Copa do Mundo a cada dois anos, a partir de 2008, ganhou o apoio de figuras ilustres do futebol. Pelé, Beckenbauer e as principais federações européias são a favor da alteração no calendário. Trata-se de um plano ambicioso, disse Pelé à imprensa suíça. Para ele, as seleções voltariam a ter primazia sobre os clubes.
A Copa do Mundo foi iniciada há sessenta anos, quando as viagens e os meios de comunicação eram bastante lentos e trabalhosos. Agora, com as atuais infra-estruturas, podemos organizar os torneios com um intervalo menor, sem que a qualidade se altere, diz Blatter.
Beckenbauer, ex-capitão e técnico da seleção alemã e atual presidente do Bayern de Munique, adverte para os problemas que surgirão para montar o calendário. A opinião do alemão converge com a de seu rival no Mundial de 1966, o inglês Bobby Charlton. O público quer ver clássicos como Alemanha e Brasil ou Itália contra França, afirmou o inglês. Gosto bastante desta idéia, opinou o italiano Dino Zoff, goleiro campeão mundial na Espanha, em 1982, e atual técnico da seleção de seu país.
Além dos ex-craques, os dirigentes também se mostram favoráveis à alteração. As federações Inglesa, Italiana, Francesa, Suíça e Austríaca já aprovaram. O presidente da Federação Francesa, Claude Simonet, aproveita para criticar a Uefa. Será uma forma de lutar contra um Campeonato Europeu de Clubes, que escapa do controle dos poderes esportivos.
Gugliemo Petrosino, secretário-geral da Federação Italiana, considerou que a disputa a cada quatro anos prejudica a carreira dos jogadores. A mudança de equipes é muito rápida, disse Petrosino. Com um torneio a cada dois anos, o atleta poderá disputar um número maior de competições importantes.
Os suíços anunciaram seu total apoio à idéia do compatriota Blatter. Para evitar que o futebol seja objeto de especulação, é preciso que as competições entre seleções sejam as mais atrativas possíveis, disse o presidente da Federação Austríaca, Beppo Mauhart.
O atacante Ronaldinho, da Inter de Milão, equivocou-se ao brincar. Com um Mundial daqui a dois anos, poderemos esquecer mais rápido a França.
O sueco Lennart Johansson, presidente da Uefa e rival derrotado por Blatter na última eleição para a presidência da Fifa, foi contra. Não vejo vantagem nenhuma com essa idéia, disse. Isso pode perturbar o equilíbrio das demais disputas. Ele tem o apoio de Michel OHooghe, presidente da Comissão Médica da Fifa. Será preciso acrescentar novas partidas ao calendário, o que é impossível, pois já estamos no limite.


