Sepang, 15(AE) - A equipe Benetton segue firme para regressar aos seus primeiros anos de existência na Fórmula 1, no começo dos anos 80, quando terminava o Mundial de Construtores entre os sete ou oito primeiros colocados, apenas. Para quem ainda em 1994 e 1995 foi campeã do mundo com Michael Schumacher, a organização do polêmico senador italiano Luciano Benetton vai de mal a pior. O coordenador do time, Juan Villadelprat, é testemunha da ascensão e queda do projeto da "United Colors of Benetton" na Fórmula 1. O seu diagnóstico é sombrio: "Falta tudo."
A Stewart, apesar de estrear no Mundial apenas em 1997, é a quinta colocada entre os construtores no atual campeonato, com 31 pontos. E nem de longe está ameaçada pela Benetton, apenas a sexta força da temporada, com 16 pontos. Em 1995, a dupla Michael Schumacher e Johnny Herbert somou 137 pontos, ou seja 121 a mais que Giancarlo Fisichella e Alexander Wurz este ano. É uma queda sem precedentes na história dessas competições. "E pensar que isso foi há apenas quatro anos", destaca Villadelpratt.
Só a saída de Schumacher para a Ferrari, no fim de 1995, explicaria tamanha perda de desempenho? "Não, mas sem dúvida ele faz falta a qualquer escuderia", responde o técnico catalão. Outras razões são apontadas por ele: "Hoje o nível de investimento dos patrocinadores é menor e o time não dispõe mais do apoio oficial de uma montadora, com a Ford em 1994 e a Renault, em 1995. A direção administrativa, técnica e esportiva é outra e nossos pilotos são ainda muito jovens, pouco experientes."
O projetista-chefe da Benetton, o jovem inglês Nick Wirth, tem sido citado nos bastidores como grande responsável pelo fracasso dos dois últimos modelos da equipe. "Nick precisava mesmo de outros engenheiros para contrapor suas idéias
sempre muito avançadas, mas nem sempre funcionais." A Benetton contratou três projetistas envolvidos no projeto que a Honda estava desenvolvendo. "Nosso próximo carro está sendo concebido em conjunto." Quando o assunto é Benetton é inevitável que se fale em Flavio Briatore, seu ex-diretor-geral na época de Schumacher. "O grande mérito dele era reconhecer suas limitações", diz Villadelpratt.
"Flavio tornou a Renault nossa sócia, trouxe importantes patrocinadores e, por desconhecer a área técnica, delegava responsabilidades." A dupla de projetistas que Schumacher levou para a Ferrari, Rory Byrne e Ross Brawn, também merece a análise do catalão: "Não desejo tirar o mérito deles enquanto estiveram aqui, mas na Ferrari, com o mesmo superpiloto e ainda mais dinheiro eles não foram campeões, como na Benetton." Essa talvez seja a maior prova de que a equipe teve grande méritos nas conquistas de Schumacher, afirma o coordenador do time.
Quando a Benetton voltará a vencer na Fórmula 1? "Espero que a Renault retorne mesmo a esta competição como nossa sócia, o que me permite supor que em 2001 seremos muito fortes novamente." Os boates, fundamentados, são que de a montadora francesa se associará à Benetton no fim da próxima temporada.

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