Coordenador do COB crê em Top-10 nos Jogos do Rio
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domingo, 09 de novembro de 2014
Rafael Souza<br>Reportagem Local 
Enquanto o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) corre contra o tempo para deixar tudo pronto para receber os Jogos Olímpicos em 2016, centenas de atletas se preparam para representar o país. A meta já está traçada pelo Ministério do Esporte. E é bastante ousada. O Governo quer aproveitar todo o clima a favor que será criado com o fator casa e colocar o Brasil pela primeira vez na história no Top-10.
Para tanto, o Ministério calcula que será preciso alcançar ao menos 30 medalhas, uma marca bastante expressiva e nunca antes atingida na história das participações brasileiras em Jogos Olímpicos. O melhor aproveitamento do País em uma Olimpíada foi justamente na última edição, em Londres-2012, com 17 medalhas conquistadas três ouros, cinco pratas e nove bronzes. Levando em consideração a classificação, a melhor foi na Antuérpia, em 1920, quando a delegação verde e amarela chegou ao 15º lugar no quadro de medalhas, conquistando uma medalha de ouro, uma de prata e uma de bronze. Mais recentemente, em Atenas 2004, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) trabalhou duro para levar o Brasil ao 16º lugar, com cinco ouros, duas pratas e três bronzes.
"Para ganhar essas 30 medalhas não está fácil. Em 2012, o Brasil ganhou 17 medalhas, mas é outro ciclo, alguns atletas já se aposentaram, e não é garantia que quem ganhou vai ganhar de novo. Então teremos que ganhar as 17 de Londres, mais 13. Mas existe uma perspectiva boa para a gente chegar", aponta o londrinense Antonio Carlos Gomes, coordenador de ensino do COB.
Essa boa perspectiva, segundo o dirigente, está diretamente ligada ao investimento feito pelo Governo no esporte para este ciclo olímpico. "O Governo Federal 'startou' uma série de suporte ao sistema de preparação de atletas. Por exemplo, temos a Bolsa Pódio, que todo atleta que é Top-20 do mundo pode requerer. Ela varia de R$ 8 a R$ 15 mil por mês, e essa bolsa deu uma certa tranquilidade aos atletas", conta.
O orçamento de preparação dos atletas brasileiros para 2016 praticamente dobrou em relação ao ciclo olímpico (quatro anos) de Londres 2012. Dos cerca de US$ 350 milhões utilizados na última preparação, a verba agora ultrapassa os US$ 600 milhões. As contas são feitas reunindo todos os recursos do COB através da Lei Agnelo-Piva (que destina 2% dos prêmios das loterias federais ao esporte olímpico), patrocinadores do COB e das Confederações, além dos programas de incentivo do Governo Federal como bolsa-medalha e bolsa-pódio. Para se ter uma ideia do valor, países como Austrália, França e Grã-Bretanha investem cerca de US$ 1 bilhão em seus ciclos olímpicos.
MUNDIAIS
O alto investimento, no entanto, não refletiu na participação brasileira em mundiais que geralmente servem de parâmetro para avaliações prévias , em 2014. O aproveitamento verde e amarelo caiu consideravelmente em relação a 2013. São apenas 16 medalhas contra as 27 obtidas no ano passado.
Mas o coordenador de ensino do COB explica que a comparação válida não é essa. "Os atletas no mundo que fizeram marca em 2014, a chance deles virem a explodir em 2016 é bem pequena. Os que estão treinando para os Jogos Olímpicos usaram este ano, que não tinha competições internacionais de alto nível, para treinar pesado. No mundo todo houve uma queda, pois 2015 é hora de começar a fazer resultado", explica o londrinense. "A comparação que vale é com 2011, quando o Brasil ganhou 13 medalhas em mundiais e o que aconteceu um ano depois? Ganhou 17", completa.
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