Suzuka, 27 (AE) - O coordenador da equipe McLaren, Jo Ramirez, foi duro, hoje, em Suzuka, ao falar da restituição dos pontos da Ferrari no GP da Malásia, em detrimento do seu time. "O melhor nome para a FIA não é Federação Internacional de Automobilismo, mas Ferrari Internal Affair (negócios internos da Ferrari)." Sua revolta com a reconsideração do título de Mika Hakkinen, da McLaren, era evidente. A chuva forte que caiu no autódromo permitiu maior discussão entre os integrantes das escuderias a respeito da posição da FIA. "Eu não sei por que razão estão fazendo neste momento a vistoria técnica no carro da Ferrari, não é necessário, todos nós sabemos que eles sempre serão legais", comentava Ramirez. O GP do Japão, domingo, último do ano, apontará o campeão da temporada: Eddie Irvine, da Ferrari, líder do Mundial, com 70 pontos, ou Mika Hakkinen, McLaren, 66. Estará em jogo também o título de construtores, onde a Ferrari está em primeiro, com 118 pontos, e a McLaren em segundo, 114. As posições políticas na Fórmula 1 são quase sempre as preferidas. O coordenador da McLaren, contudo, as esqueceu. "Eu agora posso fazer um pistão com 5 milímetros a mais de diâmetro, seu curso ter 5 milímetros a mais que não terá importância, estarei dentro da tolerância." Outra fonte lembrou que o exemplo dado pela entidade servirá de modelo não apenas para a F-1.
"Ele é lesivo para o automobilismo em geral", disse. "Quando algum comissário técnico detectar uma medida fora do regulamento, nas mais diferentes categoria existentes no mundo, os responsáveis vão usar a mesma argumentação da tolerância para defender-se." No GP da Malásia os defletores do modelo F399 da Ferrari de Eddie Irvine, vencedor, e Michael Schumacher, segundo colocado, tinham, na base,10 milímetros a menos do exigido, trazia um comunicado da FIA três horas depois da corrida na Malásia.
Max Mosley, presidente da entidade, explicou que os juízes do Tribunal de Apelo reconsideraram a desclassificação dos pilotos com base no "erro de medição e no limite de tolerância aceito para esses casos, 5 milímetros." Jo Bauer, comissário técnico da FIA para a Fórmula 1, não quis conversa com a imprensa. "No comments."Foi ele quem assinou o comunicado depois da prova de Kuala Lumpur, informando a então irregularidade da Ferrari.
Ramirez prosseguiu depois na sua revolta. Com a desclassificação de Irvine, o finlandês Mika Hakkinen seria bicampeão do mundo. "Conversei com Ron Dennis (sócio e diretor da McLaren) e ele também não se surpreendeu com a decisão", falou. "Nós conhecemos a força da Ferrari na FIA." Ao falar do campeonato, Ramirez admitiu que sua equipe falhou.
"Talvez nós tenhamos perdido o título, se não o conquistarmos ainda, na Alemanha ou no erro de Mika Hakkinen em Monza." Tantos equívocos de seus pilotos, o companheiro de Hakkinen é David Coulthard, o remeteram ao passado. "Que saudades de Ayrton Senna e Alain Prost", expressou o coordenador da McLaren.
O único piloto que hoje no circuito de Suzuka foi Olivier Panis, da Prost, que a exemplo de Damon Hill, da Jordan, disputará no Japão, com muita probabilidade, sua última corrida de F-1. Hoje sentarão lado a lado para falar com a imprensa Eddie Irvine e Mika Hakkinen, bem como Jean Todt, o discutido diretor esportivo da Ferrari, e Norbert Haug, que ocupa o mesmo cargo na Mercedes, sócia da McLaren.

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