Convocados não desfalcarão seus clubes
Rio - O técnico Mano Menezes não se preocupou com a quantidade de jogadores tirados de cada clube brasileiro para formar a lista de convocados da seleção para enfrentar a Colômbia. Dessa vez, ele não repetiu a estratégia adotada no fim do ano passado, quando não chamou atletas que atuavam no Brasil para não atrapalhar na reta final do Brasileirão. Assim, o grupo conta agora com nomes de sete equipes do País.
Além de Santos (Arouca e Neymar) e Corinthians (Fábio Santos e Paulinho), que tiveram dois atletas convocados cada, outros cinco clubes brasileiros (Botafogo, Atlético-MG, São Paulo, Fluminense e Internacional) terão que ceder um jogador em meio à reta final do Brasileirão. Mesmo assim, Mano garantiu que estas equipes não serão prejudicadas, já que o campeonato não terá rodada no dia do amistoso contra a Colômbia (uma quarta-feira) - os jogos serão nos fins de semana anterior e seguinte.
"Como norte para a convocação foi fundamental o fato de as equipes não jogarem na data em que jogaremos, então se esvai esse prejuízo. Não tem jeito, alguma questão sempre vai ser abordada em relação ao interesse individual de cada um, do mesmo jeito que também temos os nossos. Mas não teremos o prejuízo de interferir no Brasileiro", explicou Mano.
O técnico chegou a pensar em poupar os clubes brasileiros nesta convocação, mas mudou de ideia após as boas exibições da seleção nas goleadas por 6 a 0 diante do Iraque e de 4 a 0 contra o Japão, nos dois amistosos realizados em outubro. "Já havia refeito meu pensamento porque não teremos o prejuízo. Sempre que tivermos a possibilidade de repetir, com o sentimento de evolução, devemos aproveitar. Não podemos abrir mão de fazer isso", justificou.
A convocação pode deixar alguns clubes irritados, como o Corinthians, que estará em reta final de preparação para o Mundial de Clubes. "Temos as nossas prioridades e abrimos mão em alguns momentos quando foi extremamente necessário, mas não podemos fazer isso sempre, porque senão não chegaremos onde queremos", afirmou Mano.
O próprio treinador admitiu, no entanto, que o essencial seria não atrapalhar nunca os times em rodadas do Brasileirão e cobrou que um melhor calendário para o futebol nacional seja elaborado no futuro. "São questões mais amplas e estruturais. Acredito que para o ano que vem não se tenha uma solução ideal, mas, no futuro, teremos. Se não, essa situação se agrava, o desgaste é muito grande e se paga um preço muito alto estando nesse cargo (de técnico da seleção)", avaliou Mano. (A.E.)





