São Paulo, 04 (AE) - O técnico Radamés Lattari já não vai ter o atacante Nalbert no time que disputará o Pré-Olímpico de Vôlei
de sexta-feira a domingo, em São Caetano do Sul, e está arriscado a não poder contar também com Max e Gustavo. Hoje à tarde, Nalbert pediu dispensa da seleção por estar muito abalado com a morte do pai, ocorrida na véspera do ano-novo. Agora, o técnico, que convocou 14 jogadores e teria de fazer dois cortes amanhã, passa a viver a incerteza de não ter 12 atletas no torneio, classificatório para os Jogos Olímpicos de Sydney, em setembro.
Hoje, Max torceu o tornozelo esquerdo e deixou o treino para ir ao hospital - não sofreu fratura, mas o local está muito inchado e o jogador ficará sob observação por 24 horas. Gustavo está com uma contratura nas costas e viu os treinos de ontem sentado em uma cadeira.
"Hoje, o Radamés só pode contar com 11 jogadores", constatou Carlão. "Mas cada um tem de ser o mais profissional possível e fazer a sua parte quando entrar em quadra", disse o atacante, campeão olímpico em Barcelona, em 1992.
O técnico Radamés só definirá o time titular quinta-feira, mas a tão prevista disputa de posição poderá ser menor, amenizada pelas contusões e a dispensa de Nalbert. "Perder três jogadores tão importantes como estes preocuparia qualquer um", avaliou Radamés. "Mas, sem o Nalbert, eu posso contar com o Carlão, o Giba e o Dante; sem o Gustavo, posso ter o André, o Douglas e o Itápolis", prosseguiu. "Quanto ao Max, ainda temos de aguardar."
Sem Nalbert, Carlão e Giba devem ter escalação assegurada nas pontas. O técnico lamentou o fato de o time perder algumas variações táticas com a ausência de Nalbert. "É um jogador excepcional, que permite fazer mudanças nas características do jogo da seleção, ajudando muito no sistema defensivo." Mas o treinador acentuou que Nalbert, melhor do que ninguém, sabe de suas condições emocionais.
Disputa - O capitão Carlão entende que a briga por posições, que ficou acirrada na Copa do Mundo do Japão, em novembro e dezembro, ficará amenizada sem Nalbert. Mais ainda se Gustavo e Max não puderem jogar. Mas observa que o técnico vem administrando o problema, tornando a disputa de posição sadia e profissional. "Ninguém gosta de ficar no banco, eu mesmo detesto", comentou Carlão. "Mas temos de entender isso de modo profissional e responder à altura toda vez que cada um entrar em quadra."
Carlão não entrou em detalhes nem confirmou que a reserva teria desagradado a Ricardinho e Giba e provocado um clima ruim no Japão. "Pode ser que os mais jovens se sintam ameaçados com a minha volta e a do Marcelo Negrão, por exemplo", disse Carlão. "Até porque eles formaram um time-base a partir de 1997, com a saída da minha geração, mas isso é normal e tem de ser encarado dessa forma."
O Brasil enfrentará a Colômbia, na sexta-feira, às 9 horas, a Venezuela, no sábado, às 14 horas, e a Argentina, no domingo, às 11 horas. Todos os jogos serão no Ginásio Lauro Gomes, em São Caetano do Sul.