Santiago - A primeira experiência de Dunga como treinador tem um capítulo decisivo hoje, em Santiago. Se o Brasil perder para o Chile, às 22 horas, pela sétima rodada das Eliminatórias Sul-Americanas do Mundial de 2010, o capitão do tetracampeonato (1994) corre o risco de voltar ao País já sem emprego. Ele precisa da vitória para seguir na equipe. ''Sei que futebol é resultado e estou tranquilo'', declarou Dunga, confiante de que a seleção vai superar a pressão e os rivais chilenos.
O técnico iniciou seu trabalho em agosto de 2006, dias depois do fracasso do Brasil no Mundial da Alemanha. A escolha da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) tinha como alvo um certo comodismo ou mesmo desleixo de jogadores mais experientes, que, na avaliação da entidade, foram os responsáveis pela derrota para a França, nas quartas-de-final daquela competição.
Dunga se encaixava no perfil traçado pelo presidente da CBF, Ricardo Teixeira, para ''renovar'' a equipe, rejuvenescê-la e iniciar um período de reformulação no futebol brasileiro. Venceu a Copa América de 2007 com uma ''surra'' na Argentina (3 a 0).
Mas em várias outras oportunidades o que se viu no time de Dunga, para muitos, foi um retrocesso. E veio da própria Argentina a resposta mais contundente ao futebol pouco arrojado e calculista da equipe - o troco (3 a 0) em jogo recente pela Olimpíada de Pequim, o que tirou do Brasil a chance de chegar à medalha de ouro.
Ao longo de pouco mais de dois anos, Dunga não teve habilidade suficiente para lidar com o entorno da seleção. Brigou com a imprensa e indispôs-se com outros componentes da comissão técnica.
Nada, porém, tão grave quanto à desavença pública logo com os dois jogadores mais badalados da seleção desde o último Mundial, Kaká e Ronaldinho Gaúcho. Chegou a deixá-los na reserva após sua estréia no comando da equipe, contra a Noruega, em agosto de 2006.
A tensão aumentou quando, no ano passado, os dois pediram dispensa da Copa América, sob alegação de cansaço. E atingiu o ápice no período pré-Olimpíada. Ali, Kaká foi quem sofreu mais com as cobranças de Dunga, segundo o qual, o atleta do Milan não teria se esforçado para disputar os Jogos de Pequim. Com Ronaldinho foi necessária a intervenção de Teixeira para que o meia-atacante constasse da lista olímpica.
Os tropeços recentes do Brasil contra Venezuela, em amistoso, e Paraguai, pelas Eliminatórias, acenderam a luz amarela na sala de Dunga. Depois, com um empate sem graça com a Argentina, em Minas Gerais, em que ouviu ofensas de todo o público e um pedido ritmado para que deixasse o cargo, o treinador passou a viver seu pior momento no grupo.
E Dunga que se prepare. Ou vence o Chile com atuação convincente ou poderá vivenciar um novo e mais incisivo protesto, na próxima quarta, quando o Brasil enfrentará a Bolívia, no Engenhão, no Rio.


EM SANTIAGO

Chile

Claudio Bravo; Medel (Gonzalo Fierro), Pablo Contrera, Fuentes e Arturo Vidal; Carmona (Medel), Marcos Estrada, Humberto Suazo e Jean Beausejour (Mark González); Matias Fenández e Alex Sánchez. Técnico: Marcelo Bielsa

Brasil

Júlio César; Maicon, Lúcio, Luisão e Kléber; Gilberto Silva, Josué, Diego e Ronaldinho Gaúcho; Robinho e Luís Fabiano. Técnico: Dunga

Árbitro: Carlos Torres (Fifa-PAR)
Estádio: Nacional
Horário: 22 horas (de Brasília)

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