Contra as botinadas, inspiração. E o Brasil faz 7 a 0 em Trinidad
Rogério Fischer
De Londrina
Foi um bom teste. Com um toque de bola perfeito, deslocamento constante dos atacantes e apoio correto dos laterais, a Seleção Brasileira sub-23 driblou a violência do adversário logo nos primeiros minutos do jogo e goleou o time também sub-23 de Trinidad e Tobago por 8 a 0, ontem à noite, no Estádio Orlando Scarpelli, em Florianópolis. Foi o primeiro dos dois amistosos do time de Wanderley Luxemburgo na fase final de preparação para o Torneio Pré-Olímpico, em Londrina. O próximo amistoso será sábado, em Maringá, contra Costa Rica. O Brasil estréia no Pré na próxima quarta-feira, contra o Chile.
O que parecia ser uma equipe extremamente aplicada e fortíssima na marcação revelou-se, na verdade, um time de botinudos. No oitavo minuto de partida Trinidad já havia cometido duas faltas violentas, recebido um cartão amarelo (aos 6m) e um vermelho (aos 8).
Com um jogador a menos, a tática defensiva dos caribenhos transformou-se numa retranca total. O desafio dos brasileiros seria superar a barreira de cinco jogadores que se postavam à frente da zaga de Trinidad. As jogadas ensaiadas em Londrina foram bem executadas, o time estava inspirado e o que se viu, do 9º ao 46º minuto do primeiro tempo, foi uma avalanche de ataques convertidos ou desperdiçados.
Aos 9m, após a cobrança de falta que resultou na expulsão de King, Álvaro antecipou-se ao goleiro e desviou de cabeça: 1 a 0. Aos 21, Ronaldinho fez 2 a 0 em pênalti que ele mesmo sofreu. Aos 23, uma pintura: aproveitando passe de primeiro de Ronaldinho, Alex venceu o zagueiro na corrida, livrou-se do goleiro e empurrou para as redes. Aos 32, Mozart, livre na grande área, tocou certo por baixo do goleiro: 4 a 0. O Brasil teve ainda três ou quatro chances claras de gol e um gol anulado injustamente de Mozart. Trinidad acertou um chute fraco de fora da área. E só.
Talvez receoso de uma goleada vexatória, no segundo tempo Trinidad abandonou a tática da pancada. Sofreu outras três ameaças de gol nos primeiros cinco minutos e estava portando-se bem até que, aos 15m, Ronaldinho driblou um zagueiro, sofreu novo pênalti e fez 5 a 0. Foi a senha para Luxemburgo trocar cinco jogadores de uma vez.
Motivados, os reservas detonaram. Aos 34m, Athirson (que substituiu Fábio Aurélio) cruzou da esquerda e Lucas (que substituiu Fábio Júnior) cabeceou firme: 5 a 0. Um minutos depois, a mesma jogada pela esquerda desta vez, quem completou foi Adriano (que entrou em lugar de Mancini).
O Brasil jogou um futebol participativo, de toques rápidos. Cortado na semana passada por exigência do Bétis, da Espanha, Denílson dono de um estilo mais vistoso que eficiente não fará falta.
FICHA TÉCNICA
Brasil 7
Sílvio; Mancini (Adriano), Fábio Bilica (Cris), Álvaro e Fábio Aurélio (Athirson); Baiano, Mozart, Fabiano e Alex (Edu); Ronaldinho (Warley) e Fábio Júnior (Lucas). Técnico: Wanderley Luxemburgo
Trinidad e Tobago 0
Sancho; King, Thomas (Scotland), Rojas e Cooper; Atiba Charles (Edward), Jemmott, Latapy e Pierre (Derril Gomes/Obrayan); Mulraine e Charles (Pierre Anton). Técnico: Bertille Saint Clair
Árbitro: Carlos Eugênio Simon (RS)
Estádio: Orlando Scarpelli, em Florianópolis
Renda e público: não divulgados
Cartão vermelho: Derek KingGols: Álvaro aos 9, Ronaldinho (pênalti) aos 21, Alex aos 23 e Mozart aos 32 do 1º; Ronaldinho aos 16, Lucas aos 34 e Adriano aos 35 do 2ºTime de Luxemburgo doma violência dos caribenhos, executa bem as jogadas ensaiadas e goleia em Florianópolis
Agência EstadoEM DESTAQUEAlex disputa jogada ontem à noite em Florianópolis: meia marcou, no primeiro tempo, o gol mais bonito da partida contra Trinidad





