Um grupo de ex-árbitros está exigindo do presidente da Associação Profissional dos Árbitros de Futebol do Paraná (Apaf), Nelson Orlando Lehmkuhl, a prestação de contas de 1998, 1999 e 2000. O caso pode parar nos tribunais. ‘‘Caso o relatório a ser apresentado não satisfaça as exigências dos associados vamos entrar na Justiça para conferirmos toda a movimentação fiscal desse período’’, afirmou o ex-árbitro Valdir de Córdova Bicudo que integra o grupo.
Somente no recolhimento das taxas de inscrição dos árbitros a Apaf arrecada R$ 18 mil, além de outras verbas relativas aos cursos de arbitragens e às taxas cobradas dos árbitros em cada rodada.
O presidente da associação afirmou que nesta semana foram entregues os documentos para serem analisados por um escritório de contabilidade. ‘‘Em menos de um mês teremos os balanços desse período’’, afirmou Lehmkuhl, que ocupa a presidência desde 1984. Segundo ele, houve falta de tempo para a apuração das contas, além de não haver pessoas para avaliarem os documentos fiscais da associação.
A falta de prestação de contas junto aos associados não é novidade na associação, que mantém cerca de 200 juízes do Estado em seu quadro. Em 1995 a mesma diretoria foi questionada sobre a falta de transparência na aplicação dos recursos.
‘‘Desde outubro de 1995 sugerimos uma auditoria geral na associação, para sabermos o que estava sendo arrecadado e onde estavam usando o nosso dinheiro, afinal de contas existem as taxas que são cobradas e revertem em recursos também’’, disse Bicudo.
Em janeiro do ano passado o então vice-presidente Eduardo Vieira pediu sua renúncia da diretoria por não concordar com os métodos administrativos de Lehmkuhl e critica a forma de administração da Apaf.
Em determinado trecho da carta de renúncia, Vieira declara que ‘‘faltou sensibilidade do presidente para atender às solicitações de prestação de contas, de forma reiterada, e que não foram atendidas em pelo menos quatro anos’’.
Segundo o documento entregue aos associados, houve falta de comunicação sobre os eventos que a Apaf participou, além da discriminação dos valores pagos em nome da associação sem autorização prévia dos associados.
‘‘Procurei fazer o melhor pela categoria, mas a forma de atuação centralizadora da presidência, sem a colaboração da classe ficou incompatível com a minha forma de ação’’, disse Vieira.
O apego ao poder também foi motivo de protestos de dois ex-árbitros. Luiz Carlos Pinto de Abreu, que apitou a final de 1992, entre Londrina e União Bandeirante, foi pressionado por membros da comissão de arbitragem a abdicar, juntamente com Vieira, da intenção de formar uma chapa de oposição.
‘‘Houve ameaça de retaliação, não só comigo como para outros juízes, o que confirma a maneira de agir desse grupo’’, disse Pinto de Abreu.
Entre os árbitros da ativa a ordem é o silêncio. Ninguém comentou o assunto ou opinou sobre uma possível mudança na presidência da associação. Na opinião de Nelson o processo de eleição tem sido democrático.

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