A londrinense Maria Paula Lopes Albiero está na contagem regressiva para realizar seu primeiro grande sonho como atleta. A armadora, de 15 anos e 1,67 metro, será a representante do Paraná na seleção brasileira que vai disputar o Campeonato Mundial de Basquete Feminino Sub-17, nas cidades de Klatovy e Pilsen, na República Tcheca, de 28 de junho a 6 de julho.
A promessa formada em Londrina faz parte de um grupo que vem treinando junto desde a conquista do Sul-Americano, em 2012. Ela, no entanto, não chegou a disputar nenhuma competição internacional com a seleção e vai debutar no mundial tcheco. Maria Paula e suas 11 companheiras viajaram na última sexta-feira para a Europa e vão realizar alguns amistosos antes da estreia, agendada para o dia 28, contra o Egito.
Até lá, o desafio será controlar a ansiedade. "Me mudei para São Paulo com o objetivo de chegar a uma seleção de base, então vinha buscando isso desde o início. Estou um pouco ansiosa, já que é algo completamente diferente de tudo que já passei", conta a jogadora.
O mundial terá a participação de 20 seleções, que foram divididas em quatro grupos. O Brasil está na chave B, e vai enfrentar na primeira fase os fortes times de Itália e Espanha, além das egípcias. Apesar das pedreiras, ela está confiante em um bom desempenho da seleção. E esse não é seu único objetivo. "Espero aprender muito, ganhar experiência e poder ajudar minha equipe a ter bons resultados. Com certeza, é algo que nunca vi, um campeonato extremamente forte e com um alto nível. Mas acredito que se trabalharmos em conjunto poderemos cumprir a nossa missão", mira a armadora.
Justamente para que as atletas possam ganhar rodagem, o regulamento não prevê eliminação na primeira fase. Na segunda fase, as seleções do grupo do Brasil cruzam com a chave A, que tem Canadá, Coreia, Hungria e República Tcheca. Os vencedores disputam de 1º ao 8º lugares e os perdedores de 9º a 16º lugares.
AMOR À PRIMEIRA VISTA
A trajetória de Maria Paula com o basquete é uma história de amor à primeira vista. "Comecei a jogar aos sete anos por causa da minha timidez, era muito introspectiva e o esporte me ajudou nisso", revela. Em Londrina, ela ficou até os 14 anos. Começou na Arel, aos sete anos, e depois se destacou também no time do Colégio Portinari - comandado na época pelo técnico Paulo Vasconcellos. Por Londrina, venceu cinco vezes o estadual entre 2009 e 2011; e ainda foi duas vezes vice-campeã dos Jogos Escolares Brasileiros.
A chance de ir para Americana surgiu depois de se destacar em um Sul-Americano pelo time de São José dos Pinhais, em 2012. Partiu no início do ano seguinte 2013 e lá está até hoje. "A experiência tem sido excelente. Apesar de todas as dificuldades, como ficar longe da minha mãe, ter que me acostumar com a cidade nova, novo time e nova escola, tem sido muito importante para o processo de formação e evolução do meu basquete. Aprendi muito com tudo isso, a ser mais independente, além de ter amadurecido mais", ressalta a promessa londrinense, que se divide entre a dura rotina de treinos e os estudos.
O ex-jogador Hamilton Azevedo foi o primeiro técnico da atleta e lembra que ela já dava indícios de que teria sucesso no esporte. "Ela sempre foi muito dedicada e focada. Todos os dias ela me perguntava o que podia melhorar e hoje chegou onde está por isso", elogia o treinador.
A chance precoce na seleção anima a jogadora, mas ela se mostra consciente e promete muito esforço para alcançar seus objetivos. "Gostaria muito de me tornar jogadora, acho que é o sonho da maioria. Não é um caminho fácil, mas com certeza é por um bom motivo. O importante também é sempre se focar nos estudos e não deixar de lado como muitos pensam pois lá para frente fará muita diferença", projeta.

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