O Conselho Deliberativo do Londrina ainda não oficializou, mas já deu ‘sinal verde’ para a transformação do clube em Sociedade Anônima. Na reunião de anteontem à noite, os conselheiros que compareceram à sede administrativa do Estádio Vitorino Gonçalves (VGD) sugeriram que não se aprove a mudança sem uma prévia consulta à Capital Markets de Curitiba, responsável pelo projeto, a respeito de alguns itens contidos na proposta preliminar. O diretor da empresa, Israel Pessoa Júnior, não compareceu, mas justificou a ausência. Segundo ele, não havia condições de vôo no aeroporto da capital.
Entre outras coisas, o Londrina pergunta à Capital Markets - no ofício enviado ontem - se a empresa daria uma ‘garantia mínima’ de R$ 150 mil mensais para iniciar a nova estrutura do Londrina. ‘‘Sem isso, não teríamos fôlego para tocar o time no Campeonato Brasileiro da Série B. Só se aparecesse algum maluco, que não seria eu... Ou se o prefeito bancasse tudo’’, afirmou o vice-presidente de futebol do Londrina, Célio Guergoletto.
Guergoletto acredita que o Londrina S/A, pelo sistema de capital aberto, também iria atrair pequenos investidores. ‘‘Por exemplo: nossos torcedores, que gastariam importâncias irrisórias e seriam donos do clube. Teriam carteirinhas especiais, veriam jogos de graça e dividiriam lucros, além de outras vantagens.’’
Guergoletto disse que aposta na marca Londrina e admite que os credores aceitariam ações em troca de dívidas ganhas judicialmente. Ele destacou a atitude do diretor da Planase, A.A. Simões, que, ao se incumbir da tarefa de executar uma auditoria imediata nos balanços de 96 e 97 - de lá para cá, as contas estão relacionadas - avisou que aceitaria ações ou debêntures do Londrina que a Capital Markets pretende colocar no mercado. Nem a pouca frequência - havia apenas 12 conselheiros para discutir um assunto importante para o futuro do Londrina - conseguiu esvaziar os debates. A exemplo de Guergoletto, o presidente do CD, Antonio Amaral, saiu de lá convencido de que, enfim, ‘surgiu uma luz no fim do túnel’. ‘‘É agora ou nunca. Se não viabilizarmos uma saída salvadora, vou atirar a toalha no segundo semestre’’, alertou Amaral, repetindo a ameaça de Guergoletto, que procura evitar o ‘nocaute’ provavelmente definitivo do Londrina.
Dois convidados roubaram a cena durante a reunião: Assad Jannani (presidente da Cohab de Londrina) e A.A. Simões (diretor da Planase). Eles esclareceram os pontos ‘mais polêmicos e duvidosos’ do projeto encaminhado pela Capital Markets.
Jannani - como ocorreu na Sercomtel, ele passa a coordenar a transição do Londrina para Sociedade Anônima - defendeu a tese de que as dívidas, que chegariam a quase R$ 2 milhões - a Planase fará um levantamento exato - não devem assustar aos potenciais investidores. ‘‘É preciso estabelecer comparações. O passivo é esse, o ativo é aquele... Às vezes, o balanço é negativo, mas o patrimônio vale milhões. Leva-se em conta as potencialidades. Como diria um filósofo inglês: o grande patrimônio de uma empresa não é o dinheiro, mas a credibilidade. No caso dos credores, é o grau de probabilidade que se tem de receber dívidas...’, exemplificou Jannani.
O advogado Fábio Theophilo, que em dois livros preparou um amplo levantamento sobre a história do Londrina e sobre as atividades econômicas do município, colocou as respectivas obras à disposição da Capital Markets. ‘‘É fundamental que se conheça o lado bom daquilo que temos a oferecer’’, observou Theophilo, que no ano passado tentou assegurar as parcerias dos Bancos Icatu e Opportunity.
Depois de ouvir as opiniões dos companheiros, o vice-presidente de Patrimônio, Agostinho Garrote, parecia animado. ‘‘Senti firmeza. Agora, vai...’’

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