Conselho dá sinal verde para o Londrina S/A
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sexta-feira, 16 de abril de 1999
Nelson Cilo 
O Conselho Deliberativo do Londrina ainda não oficializou, mas já deu sinal verde para a transformação do clube em Sociedade Anônima. Na reunião de anteontem à noite, os conselheiros que compareceram à sede administrativa do Estádio Vitorino Gonçalves (VGD) sugeriram que não se aprove a mudança sem uma prévia consulta à Capital Markets de Curitiba, responsável pelo projeto, a respeito de alguns itens contidos na proposta preliminar. O diretor da empresa, Israel Pessoa Júnior, não compareceu, mas justificou a ausência. Segundo ele, não havia condições de vôo no aeroporto da capital.
Entre outras coisas, o Londrina pergunta à Capital Markets - no ofício enviado ontem - se a empresa daria uma garantia mínima de R$ 150 mil mensais para iniciar a nova estrutura do Londrina. Sem isso, não teríamos fôlego para tocar o time no Campeonato Brasileiro da Série B. Só se aparecesse algum maluco, que não seria eu... Ou se o prefeito bancasse tudo, afirmou o vice-presidente de futebol do Londrina, Célio Guergoletto.
Guergoletto acredita que o Londrina S/A, pelo sistema de capital aberto, também iria atrair pequenos investidores. Por exemplo: nossos torcedores, que gastariam importâncias irrisórias e seriam donos do clube. Teriam carteirinhas especiais, veriam jogos de graça e dividiriam lucros, além de outras vantagens.
Guergoletto disse que aposta na marca Londrina e admite que os credores aceitariam ações em troca de dívidas ganhas judicialmente. Ele destacou a atitude do diretor da Planase, A.A. Simões, que, ao se incumbir da tarefa de executar uma auditoria imediata nos balanços de 96 e 97 - de lá para cá, as contas estão relacionadas - avisou que aceitaria ações ou debêntures do Londrina que a Capital Markets pretende colocar no mercado. Nem a pouca frequência - havia apenas 12 conselheiros para discutir um assunto importante para o futuro do Londrina - conseguiu esvaziar os debates. A exemplo de Guergoletto, o presidente do CD, Antonio Amaral, saiu de lá convencido de que, enfim, surgiu uma luz no fim do túnel. É agora ou nunca. Se não viabilizarmos uma saída salvadora, vou atirar a toalha no segundo semestre, alertou Amaral, repetindo a ameaça de Guergoletto, que procura evitar o nocaute provavelmente definitivo do Londrina.
Dois convidados roubaram a cena durante a reunião: Assad Jannani (presidente da Cohab de Londrina) e A.A. Simões (diretor da Planase). Eles esclareceram os pontos mais polêmicos e duvidosos do projeto encaminhado pela Capital Markets.
Jannani - como ocorreu na Sercomtel, ele passa a coordenar a transição do Londrina para Sociedade Anônima - defendeu a tese de que as dívidas, que chegariam a quase R$ 2 milhões - a Planase fará um levantamento exato - não devem assustar aos potenciais investidores. É preciso estabelecer comparações. O passivo é esse, o ativo é aquele... Às vezes, o balanço é negativo, mas o patrimônio vale milhões. Leva-se em conta as potencialidades. Como diria um filósofo inglês: o grande patrimônio de uma empresa não é o dinheiro, mas a credibilidade. No caso dos credores, é o grau de probabilidade que se tem de receber dívidas..., exemplificou Jannani.
O advogado Fábio Theophilo, que em dois livros preparou um amplo levantamento sobre a história do Londrina e sobre as atividades econômicas do município, colocou as respectivas obras à disposição da Capital Markets. É fundamental que se conheça o lado bom daquilo que temos a oferecer, observou Theophilo, que no ano passado tentou assegurar as parcerias dos Bancos Icatu e Opportunity.
Depois de ouvir as opiniões dos companheiros, o vice-presidente de Patrimônio, Agostinho Garrote, parecia animado. Senti firmeza. Agora, vai...


