Esquecido muitas vezes pela diretoria e pela torcida, o Conselho Deliberativo (CD) do Londrina promete se manifestar com veemência nas negociações entre a diretoria executiva do clube com possíveis parceiros para o departamento de futebol. O grupo promete ser o primeiro foco de resistência contra a ajuda de empresários de fora da cidade, que ajudariam a montar um novo time e mantê-lo nos próximos meses.
A reação surgiu depois que o ex-funcionário, empresário de jogadores e conselheiro Aldivino Generoso da Silva, solicitou via fax um acompanhamento do processo de negociação que envolvem Londrina, Roma Apucarana, Esporte Clube Osasco e União Bandeirante, parceiros que dariam suporte para a formação do elenco para a Série B do Campeonato Brasileiro e para o orçamento do segundo semestre.
‘‘Não podemos perder neste tipo de negociação. Temos vários jogadores formados pelo clube que estão despontando e não podemos correr o risco de perdê-los. Eles são patrimônio do clube e da cidade’’, afirmou o presidente do CD, Alvino Aparecido Filho, que defende investidores locais para gerenciar o futebol.
Na próxima reunião do grupo, marcada para o dia 20, deve sair uma proposta alternativa, formulada pelos próprios conselheiros. De acordo com Aparecido Filho, um grupo de empresários locais pode assumir as despesas do time já nesta competição, incluindo alguns dos 100 conselheiros. ‘‘Acredito que estas parcerias em negociação não vão sair, apesar de não ter nada contra desde que um contrato deixe claro as obrigações de cada lado’’, comentou.
Aparecido Filho, advogado de prestígio, disse à Folha que o Tubarão não deve entregar seus destinos a ‘‘propostas alienígenas’’. ‘‘Os parceiros devem ter laço afetivo com o clube, ser torcedor, ter raízes na cidade. Não dá para aceitar parceiros que não têm nenhuma responsabilidade com o futuro do clube’’, alertou.
Mesmo tentando demonstrar autoridade, o CD reconhece suas limitações e sabe que, talvez, nem seja ouvido pela diretoria executiva. ‘‘A função do conselho é balizar as posições, orientar, não temos o poder de barrar qualquer negociação’’, lembrou Aparecido Filho.

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