Conselheiros cassam presidente do Flamengo
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terça-feira, 09 de julho de 2002
Agência Estado 
Rio de Janeiro - O presidente cassado do Flamengo, Edmundo Santos Silva, é um empresário bem-sucedido e conhecido no mercado brasileiro. Já a sua administração no clube carioca, além dos títulos conquistados, se tornou polêmica por causa das várias acusações que sofreu, dentre elas, a de improbidade administrativa.
Silva assumiu a presidência do Flamengo em janeiro de 1999. Na eleição, derrotou Márcio Braga, que foi um dos principais responsáveis pelo movimento que levou a seu impeachment, decidido na madrugada de ontem. A vergonhosa e tumultuada cassação de Edmundo foi marcada pela esmagadora votação de 530 conselheiros do clube a favor de sua saída, do total de 568 votantes.
O pleito está sob júdice, porque na hora em que a votação começou, o quorum mínimo necessário era inferior a um terço de 1.703. Antes de seu afastamento, Silva afirmou que se fosse cassado iria recorrer da decisão.
Os questionamentos à administração de Silva começaram com a assinatura da parceria com a empresa suíça de marketing esportivo International Sports License (ISL), que foi cercada de incertezas e acabou se revelando um fracasso. O contrato foi celebrado em dezembro de 1999, após muita discussão e acusações de que o dirigente estaria ''forçando'' a aprovação sem a devida apreciação do Conselho Deliberativo.
A ISL se comprometia a pagar US$ 80 milhões nos 15 anos de parceria, além de investir na construção de um estádio. Em março de 2001, o clube rescindiu o contrato com a empresa, que havia decretado falência.
Em apenas seis meses de parceria com a ISL, Silva acabou gastando grande parte dos US$ 80 milhões na contratação de jogadores. A compra dos passes do meia Petkovic e do volante Mozart foram consideradas suspeitas. O sérvio foi contratado junto ao Venezia (Itália) por US$ 6,5 milhões, em janeiro de 2000, mas cinco meses depois ficou comprovado que parte do dinheiro havia sido depositado em paraísos fiscais. Esse foi o primeiro escândalo da sua gestão.
Já a contratação de Mozart, em fevereiro de 2000, foi anunciada duas vezes. Isto porque a diretoria do Flamengo anunciou a compra do passe do jogador, na época do Coritiba e que estava com a seleção pré-olímpica, por US$ 7,5 milhões. Porém, houve reclamações dentro do clube e Silva revelou que só havia pago US$ 3,5 milhões e que mentira para ajudar o clube paranaense. O dirigente acabou não pagando pela compra de Mozart e a administração flamenguista ficou sem poder usar talões de cheque por causa da inadimplência.
Em agosto de 2001, Edmundo Santos Silva depôs pela primeira vez na CPI do Senado, quando chegou até a chorar. Nesse depoimento, o dirigente revelou a existência de uma conta nas Ilhas Cayman, famoso paraíso fiscal, sem registro no Banco Central. Ele não conseguiu comprovar que o dinheiro da conta havia voltado para o clube. O relatório da Comissão foi aprovado em dezembro de 2001, com cinco pedidos de indiciamentos para o então presidente do Flamengo: falso testemunho, no caso Petkovic; lavagem de dinheiro; apropriação indébita; sonegação fiscal e evasão de divisas.


