São Paulo - Melhor jogador do último Brasileirão, quando também saiu com o título. Elogiado pela crítica e pelo público. Titular absoluto e camisa 10 do São Paulo. E presença na seleção brasileira. Parece muito? Para Hernanes, é pouco. Em entrevista à Agência Estado, ele afirma que quer muito mais neste ano.

Agência Estado - A camisa 10 caiu bem?

Hernanes - Não sinto diferença em relação ao que eu era no ano passado e agora. Claro que tem todo um charme, uma tradição, uma história... É legal, mas não muda nada para mim.

AE - O Muricy disse recentemente em uma entrevista que você é um meia e não volante...

Hernanes - Eu sou volante sim, mas que chega no ataque. O Muricy mesmo me diz que sou um volante que se transforma em meia.

AE - É mais fácil jogar assim?

Hernanes - Claro. Porque você é o homem surpresa, não joga de costas para o adversário. Nunca fui acostumado a jogar assim. Quando comecei no futsal eu era pivô, mas logo viram que teria de jogar atrás, armando o jogo. Toda a minha história no futebol foi assim. Estou adaptado, jogo sempre vendo o jogo de frente.

AE - Você não saiu do São Paulo por vontade própria ou não teve proposta?

Hernanes - Não chegou nada que fizesse eu pensar se gostaria de sair. Não tive nem oportunidade.

AE - Você tem um plano para sua carreira? Onde gostaria de estar em dois, três anos...

Hernanes - Eu tenho metas, mas não um plano bem traçado. Meu objetivo neste ano é ser melhor do que eu fui em 2008. Quero fazer mais gols, dar mais assistências... Quero interagir mais, ajudando mais nossa equipe. E sei que isso me leva aos outros lugares. Então me preocupo em ser melhor, porque o resto é consequência.

AE - Muita gente errou então ao dizer que 2008 foi o seu ano? Esse será o seu ano de fato?

Hernanes - É para isso que estou trabalhando. Sei que tenho condições, sei que posso muito mais.

AE - Conquistar a Libertadores é uma obsessão?

Hernanes - Meu negócio é com o próximo jogo. Pode ser Paulista, Libertadores, o que for, eu quero ganhar. Claro que os títulos são uma consequência, mas quero ganhar sempre. Então não existe isso de ganhar um determinado torneio. Se possível, quero ganhar tudo. Meu compromisso é com a vitória.

AE - A última convocação do Dunga mostra que é preciso jogar na Europa para ser chamado?

Hernanes - É muito relativo. Às vezes o cara sai e não joga. Mas quando consegue se destacar no clube, aí você está em um nível maior, venceu uma etapa e será convocado. Se estiver jogando bem, você terá chance. Não há preconceitos.

AE - A seleção é uma meta?

Hernanes - Sem dúvida. Neste ano quero buscar meu espaço, confirmá-lo e estar lá sempre.

AE - O time do São Paulo deste ano é mais forte?

Hernanes - Sim, porque acabamos bem no ano passado e ninguém saiu. Então há um entendimento, um conhecimento. Dá para sentir que o grupo está forte, não vai deixar para reagir só no final, como foi no ano passado.

AE - Você se vê como líder do time?

Hernanes - Temos alguns líderes no nosso grupo e sou um deles.

AE - Você também tem um lado motivador que poucos conheciam antes do DVD Tri-Hexa. Lá o Muricy conta que na reta final do Brasileiro você não chamava mais os companheiros pelo nome, só de tricampeão...

Hernanes - Era minha vontade ser campeão. Não iria abrir mão. Eram duas coisas que eu queria: o tri e a Olimpíada. Aí perdi o ouro e tinha de fazer alguma coisa. Foi daí que surgiu essa coisa de acreditar, motivar, de fazer os outros acreditarem. Tinha de ser meu, tinha de ser nosso.

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